Bebiana Rocha
Imagem: JACK
Portugal tem potencial para afirmar-se como um polo de referência de fabrico global, numa altura em que a inteligência artificial, a digitalização e a produção flexível estão a transformar profundamente a indústria têxtil e vestuário. A convicção é de Alex Wong, General Manager of Europe Department da Jack Technology, que destaca o posicionamento do setor têxtil português em segmentos de elevado valor acrescentado e vê espaço para uma cooperação mais aprofundada entre a tecnológica e as empresas lusas.
“Portugal tem uma forte herança de saber-fazer e destaca-se nos tecidos de gama alta e no fabrico premium”, afirmou em entrevista ao T Jornal, por ocasião do evento ‘Intelligent Solutions’, organizado no dia 8 de maio pela Armando Lopes, na Associação Empresarial de Penafiel.
O país “tem potencial para se tornar um polo de referência para o fabrico avançado na Europa”, sustentado pela tradição industrial, pela especialização técnica e pela capacidade de inovação”, acrescentou.
O responsável acredita que esse posicionamento pode ser reforçado através de parcerias: “cooperar com integradores de sistemas para promover soluções completas de IA e ajudar Portugal a afirmar-se como uma referência europeia em fabrico flexível”, é o seu propósito, posiciona-se.
“Há uma transição da produção em grandes volumes para um fabrico flexível, baseado em pequenas encomendas e resposta rápida. O nearshoring e o reshoring, impulsionados pela digitalização, estão a redefinir as cadeias de abastecimento globais”, observou seguidamente.
É precisamente para responder a esta nova procura por lotes mais pequenos e maior rapidez de resposta que a Jack está a apostar em equipamentos de costura automatizados e interligados. Entre os modelos preparados para esse contexto estão o AMH-A5E (máquina de ponto preso), o C7 (máquina de overlock) e o K7 (máquina de interlock), todos com acesso IoT e preparados para integração imediata em linhas de produção digitalizadas.
A inteligência artificial já está incorporada em vários equipamentos de costura da Jack, sublinhou. “A IA está integrada nas máquinas para permitir o controlo adaptativo da tensão, a deteção inteligente da quebra de linha e a auto-otimização dos parâmetros do processo, melhorando a consistência da costura”, explica Alex Wong.
Mais do que substituir trabalhadores, a empresa acredita que a IA irá alterar o papel dos operadores dentro da fábrica. “A IA assume a tomada de decisões em processos repetitivos, enquanto os operadores passam a focar-se na monitorização da qualidade, na gestão de exceções e na coordenação colaborativa de múltiplas máquinas”, concretiza.
A visão da Jack para o futuro da produção industrial passa por linhas de produção totalmente interligadas. “Equipamentos conectados entre si, carregamento de dados em tempo real para a cloud, agendamento automático de encomendas e distribuição precisa de materiais, permitindo uma gestão visual e o controlo de todo o processo fabril”, descreve.
No caso do sistema AMH2, a empresa aponta ganhos concretos de eficiência. “As linhas de produção equipadas com AMH2 registam uma redução de 30% a 50% no tempo de mudança de modelo, uma diminuição de 15% a 20% no consumo energético e uma melhoria de 3 a 5 pontos percentuais na taxa de aproveitamento do tecido”, destaca o responsável.
A robótica também assume um papel crescente no portefólio da Jack, sobretudo em operações de alimentação automática de tecido, sistemas de corte inteligentes e transporte interno automatizado de materiais, contribuindo para reduzir tarefas repetitivas e fisicamente exigentes, ao mesmo tempo que melhora a precisão e a eficiência operacional.
Estas soluções estiveram em destaque na participação da empresa na Texprocess deste ano. “Apresentámos tecnologia de costura com IA, soluções inteligentes para salas de corte e reforçámos ainda mais o nosso posicionamento no mercado europeu”, conclui.