Bebiana Rocha
A J.Gomes, empresa de produção de fios reciclados, esteve no passado fim de semana na feira Transfronteiriça de Moda Sustentável e Reciclagem Têxtil RESOTEX da qual regressou com ânimo e novo conhecimento. Esta foi uma iniciativa do projeto RESOTEX, financiado pelo programa Interreg VI-A Espanha-Portugal (POCTEP) 2021-2027, que é liderado pela Deputación Provincial de Cáceres no qual participam 16 entidades ibéricas, das quais cinco portuguesas: ATP, CITEVE, MODATEX, Município da Covilhã e Município do Fundão.
“Estivemos presentes a convite da organização, foi a primeira feira em que estivemos e sentimos que tinha tudo a ver com o nosso percurso enquanto recicladores. Foi uma oportunidade para dar a conhecer o que fazemos, mas também trocar conhecimento” diz Catarina Gomes, sócia-gerente ao T Jornal.
A empresa da Covilhã esteve em Plasencia a apresentar ainda a sua marca própria Ri-peter. As peças são todas produzidas em fios 100% reciclados e cores neutras com malha da Beira Interior. “É uma marca de slow fashion embrionária. O nosso slogan é ‘Não precisa não compre’, não porque não queremos vender, mas para incentivar as pessoas a criarem memórias e lanços com as suas roupas”, posiciona-se.
Destaca também o facto de ser uma marca que responde ao critério de Responsabilidade Alargada do Produtor, isto é, “no final de vida da peça o cliente pode devolver e recebe um desconto de 20% para comprar uma nova”. As peças estão programadas para durarem 30 anos, assegura Catarina Gomes.

Depois de ser recolhida, a peça sofre um processo de triagem para ser reciclada numa unidade de reciclagem mecânica para reencarnar noutro artigo. “Queremos ser uma marca de consciencialização do problema”, repete.
Este é o ano um da J.Gomes, depois do incêndio em 2022 e do processo de reconstrução da fábrica. “Somos uma empresa com esperança no dia de amanhã”, assegura a responsável, lembrando que a empresa conta já com 49 anos de experiência. “Há desafios, temos de evoluir na reciclagem química, as grandes marcas têm de utilizar com mais confiança o reciclado, as universidades têm de estar envolvidas, Da nossa parte estamos afincadamente a procurar soluções para encontrar o equilíbrio e envolver a comunidade”, prossegue.
Exemplo disso é o projeto ‘re-use box’, uma iniciativa solidária em que os resíduos pós consumo são tratados e transformados em fio para fazer cobertores. “A reciclagem tem o poder de olhar para o próximo com dignidade. É o que fazemos ao transformar as roupas em cobertores para doar”, explica. Mas o core da empresa continua a ser tratar resíduos pré consumo e, como tal, deixa o repto às empresas do sector de instalarem os contentores de recolha e participarem no processo. “Recolhemos em qualquer ponto do país”, recorda Catarina Gomes.