Bebiana Rocha
A indústria têxtil e do vestuário da União Europeia iniciou 2026 a enfrentar um contexto económico desafiante, marcado pela persistência da fraca procura, pela concorrência das importações de baixo custo e por um comércio mundial pouco dinâmico. As estatísticas do primeiro trimestre, divulgadas pela Euratex, mostram que o volume de negócios, a produção e o emprego permaneceram em trajetória descendente, prolongando a tendência observada desde 2023.
O volume de negócios registou uma quebra homóloga de 3,0% na indústria têxtil e de 4,2% no vestuário, resultados mais negativos do que os verificados no final de 2025. Segundo a Euratex, o arranque do ano não evidenciou sinais de estabilização, verificando-se um agravamento face às perdas mais moderadas registadas no último trimestre do ano passado.
Também a produção voltou a diminuir entre janeiro e março, recuando 4,2% no setor têxtil e 5,1% no vestuário, em termos homólogos. Ambos os setores registaram quedas mais acentuadas do que no trimestre anterior, num contexto em que a insuficiência da procura continua a ser o principal fator limitador da atividade industrial. A Confederação europeia sublinha ainda que a pressão concorrencial exercida pelos produtores de países terceiros continua a afetar a maioria dos subsetores e dos Estados-Membros.
No mercado de trabalho, a trajetória manteve-se igualmente descendente. O emprego diminuiu 1,8% na indústria têxtil e 1,5% no vestuário, em comparação com o primeiro trimestre de 2025. A Euratex atribui esta evolução aos processos de reestruturação, aos elevados custos dos fatores de produção e ao desajustamento de competências, com impactos mais expressivos nos principais polos industriais da Europa Central e de Leste.
No comércio externo, as importações da indústria têxtil e do vestuário da UE provenientes de países terceiros recuaram 11,4% em valor, refletindo o enfraquecimento da procura interna e a descida dos preços de importação. As exportações também diminuíram (-2,7%), prolongando a perda de competitividade externa da indústria europeia.
Como resultado, o défice comercial da UE-27 reduziu-se 19,1% face ao mesmo período de 2025. Contudo, a Euratex salienta que esta melhoria resulta essencialmente da contração dos fluxos comerciais e não de uma recuperação estrutural da competitividade do setor.
Os associados da ATP podem consultar o relatório na integra, mediante pedido para o email lucia.babo@atp.pt.