28 novembro 25
DIgitalização

Bebiana Rocha

Influenciar para o Made in PT com mensagem clara e propósito

‘Influenciar com Impacto’ foi o primeiro painel do evento ‘O Digital para Vender Made In Portugal’, organizado pela ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal, esta quinta-feira em Guimarães, no âmbito do projeto Digi4Fashion. A mesa redonda contou com a participação de Carlota Santos, da Kind Purposes, Miguel Ramôa, da ROVO, e Francisco Faria, criador digital.

Durante a sessão, muito focada em compreender o que significa influenciar de forma positiva, destacou-se a necessidade de uma comunicação 360 objetiva. “Só conseguimos influenciar alguém com uma mensagem superclara”, afirmou Carlota Santos, acrescentando que “a consistência é fundamental. O toca e foge não pode acontecer. Ninguém impacta ninguém sem uma boa história e um propósito verdadeiro.”

Sobre o papel do digital na influência, a fundadora da Kind Purposes salientou que ele funciona como um amplificador — tanto para o bom quanto para o mau —, permitindo às marcas existir para o mundo, mas também expondo-as à crítica. Ressaltou, no entanto, que o digital sozinho não é suficiente: “As pessoas também precisam de uma parte presencial.”

Miguel Ramôa, com mais de 25 anos de experiência no setor têxtil e vestuário numa vertente industrial, acrescentou: “Em Portugal fazemos produtos extraordinários, mas comunicamos pouco o que fazemos. O nosso ecossistema é rico e complexo, e é essencial transmitir isso numa linguagem que o consumidor perceba. Não devemos ter medo de mostrar tecnicamente o que fazemos e por que o fazemos dessa forma.”

Alertou ainda para a necessidade de não usar todas as plataformas da mesma maneira, aproveitando a experiência da nova geração nativa digital dentro das empresas. Citou a ROVO como exemplo, destacando a contratação recente de um especialista em IA e a presença permanente de programadores.

Compartilhou números que evidenciam o potencial do Crafted in Portugal: 8 mil milhões de euros é o valor atualmente produzido, 2 triliões de euros é o mercado total e 500 milhões é o número de consumidores alcançáveis. “Como indústria, temos de influenciar as marcas e escolher as que mais se identificam connosco”, concluiu.

Francisco Faria, com 10 anos de experiência em moda e duas marcas — uma de chapéus e outra de swimwear, ambas Made in Portugal —, destacou que o principal desafio como criador digital é dar contexto aos produtos.

Trabalhando exclusivamente com o setor de luxo, a comunicação que desenvolve é mais inspiracional. Para ele, a chave de uma boa parceria reside no casamento entre os valores da marca e os do criador, que também funciona como uma marca própria por si mesma.

Francisco explicou ainda que cada campanha tem objetivos distintos, com briefings específicos, e que influenciar significa refletir os valores de uma marca de forma criativa e autêntica, especialmente num contexto de excesso de informação.

Ana Dinis, diretora geral da ATP, moderou a conversa e questionou seguidamente o painel sobre o fenómeno do ultra fast fashion. Os participantes reconhecem o aumento das encomendas de baixo valor, mas preferiram falar numa tendência da geração Z para o upcycling e a compra de produtos de segunda mão. “O prazer da descoberta está a gerar um negócio brutal”, comentou Miguel Ramôa.

Foram ainda convidados a deixar uma sugestão para empresas que ainda não começaram a trabalhar o digital. “É uma questão de sobrevivência. O digital é hoje a principal ferramenta para fazer negócio”, alertou Miguel Ramôa, acrescentando que é importante que as empresas saibam onde perdem dinheiro e mantenham a união, sobretudo num mercado desregulado.

Carlota Santos reforçou a necessidade das empresas aceitarem que não sabem tudo e começarem a rodear-se de quem sabe — papel que a sua agência, Kind Purposes, pode desempenhar.

Francisco Faria concluiu defendendo que as próprias fábricas devem assumir a comunicação das suas marcas em vez de contratarem influencers, reconhecendo que as fábricas têm charme e história. Aproveitou ainda para pedir que a indústria acredite mais em projetos pequenos.

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