05 abril 24
Moda

Ana Rodrigues

Incerteza global levou grupos do retalho a aumentar stocks

Justificado pelas tensões geopolíticas e suas consequências, os gigantes da moda aumentaram os seus stocks 7,9% (em média) em relação a 2022. A H&M foi a única que reduziu stocks em comparação com os níveis pré-pandemia. A Inditex e a Gap aumentaram, respetivamente, 17 e 18%.

Concretamente, o inventário das cem maiores empresas do sector fechou o ano com um valor de 48.912 milhões de euros, segundo dados da consultora EY. Isto foi resultado da incerteza internacional, a moda também aumentou o tempo que os seus produtos passam no armazém, sendo que em 2023 as mercadorias destas empresas ficaram em média 19% mais dias no armazém do que no ano anterior.

A Gap reduziu o seu stock até 18,6% em 2023, acumulando mercadorias no valor de 2,2 mil milhões de euros, porém é uma das empresas do sector que mais aumentou o seu stock face aos níveis pré-pandemia, que atualmente é 18% superior ao de 2019. Já a H&M reduziu as mercadorias acumuladas em 15,4% no final do ano, no valor de 3.280 milhões de euros, o que também é até 8% menos que em 2029.

A Inditex acumulou produtos avaliados em 3.191 milhões de euros, um crescimento de 17% face a 2019, quando fechou o ano com um stock avaliado em 2.716 milhões de euros. No que contende com o grupo PVH (Calvin Klein e Tommy Hilfiger) fechou o ano com um inventário de 1.660 milhões de euros, enquanto a FootLocker o fez com um de 1.513 milhões de euros, um crescimento de 37,4% face a 2022.

Face aos valores pré-pandemia, as cem maiores empresas do sector acumulam, em média, 33% mais stock do que em 2019: uma consequência das diversas crises logísticas que a moda enfrentou desde aquele ano e que ainda hoje mantém a tendência de acumulação de mercadoria em armazém.

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