27 maio 24
Empresas

Bebiana Rocha

Impetus partilha experiência sobre Criação de Produto Digital

A Impetus interveio nas conferências do iTechStyle Summit da passada semana para dar a conhecer a sua incursão pela Criação de Produto Digital, que começou em 2021, e o resultado desse investimento com uma pequena demonstração do processo de trabalho, catálogos e loja online. Nuno Sousa e Sara Fernandes são os dois nomes que têm liderado estes desenvolvimentos.

“A criação de produto digital (DPC) é um processo de utilização de tecnologia avançada para criar e projetar produtos digitais em 3D, no nosso caso o vestuário. Tudo isto num ecossistema virtual e de colaboração”, sintoniza Nuno Sousa, graphic designer, ao T Jornal, que aponta como vantagem principal a economia de recursos, conseguida “através da digitalização de materiais, testes de fitting, e um processo final de renderização que nos oferece uma imagem com qualidade fotográfica suficientemente realista para ser confundida com o produto físico”.

A Impetus criou em 2021 a equipa que está hoje em frente ao DPC, assim como uma biblioteca de materiais digitais de todo o seu armazém de malhas. “Começamos a desenvolver coleções e animações de suporte para atrair alguma atenção para o tema junto das equipas internas. Depois dos primeiros meses e com testes realizados, adquirimos bastante know-how e percebemos rapidamente que para levar a cabo uma implementação de sucesso, teríamos de abrir o processo às equipas de desenvolvimento de produto”, explica. Três anos depois as coleções da Impetus já se iniciam com o processo em 3D nas equipas de estilismo e modelismo. “Não é possível mudar completamente o método de trabalho de um dia para o outro, por isso apostamos em formação, para tentar mudar mentalidades e que tem vindo a dar resultados positivos”, reconhece a dupla.

Atualmente, trabalham com ferramentas como a CLO3D e Browzwear, o que permite a criação de um protótipo digital de forma rápida, ver logo a vestibilidade da peça, tudo antes de avançar para o protótipo físico. “Representa um ganho considerável no tempo de resposta, porque evitamos produzir amostras que ainda vão sofrer correções e que vão tornar-se desperdício”, reforça.

Entre as principais mudanças está o uso de pequenas amostras de malhas para verificar se uma cor ou um estampado funciona bem – “conseguimos visualizar tudo em 3D de forma realista”, diz Nuno Sousa.  Outra das vantagens que vê é as poupanças e sessões fotográficas, tanto para uso nos catálogos como em lojas online. “Fazíamos ao longo de duas coleções anuais, várias sessões de marketplace para as nossas marcas e o facto de não ser necessário produzir todas as cores e todas as malhas, em todas as variantes, já é um ganho enorme para o grupo em termos económicos e ambientais”. “A cereja no topo do bolo é o controlo e a liberdade que temos para mudar algum detalhe na coleção, seja por pedido da administração ou pela equipa comercial, até ao momento em que o catálogo é entregue”, finaliza.

Questionado sobre as principais dificuldades no processo, Nuno Sousa aponta os custos iniciais: “pode não estar ao alcance de pequenas ou médias empresas do têxtil português”. Em notas finais a dupla fala de uma certa “resistência e dificuldade das empresas em adotarem este tipo de sistemas de trabalho digitais” e espera que a presença no Summit tenha servido para “desmitificar este bicho do DPC”.

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