26 setembro 25
Sustentabilidade

Bebiana Rocha

Ignorar a Sustentabilidade não é economia, é risco diz a Global Fashion Agenda

A Global Fashion Agenda apresentou a publicação ‘Fashion CEO Agenda 2025’, um guia prático para que marcas e retalhistas fortaleçam os seus negócios num contexto de crescente incerteza económica, geopolítica e ambiental. A agenda propõe ações imediatas e de curto prazo, ao mesmo tempo que define ambições coletivas para o setor da moda.

Segundo o comunicado da organização, esta iniciativa surge “num momento em que a indústria enfrenta turbulências desde a volatilidade económica e a desregulação até às crises climáticas e sociais crescentes”. A publicação assume-se como uma reflexão a meio da década, com foco na promoção de uma sustentabilidade de longo prazo.

A sustentabilidade proposta pela Fashion CEO Agenda assenta em cinco prioridades estratégicas: ambientes de trabalho respeitadores e seguros, sistemas de remuneração mais justos, gestão responsável de recursos, escolhas inteligentes de materiais e sistemas circulares. A estas somam-se cinco aceleradores críticos considerados essenciais: inovação, capital, coragem, incentivos e regulamentação.

O documento sublinha que a reciclagem têxtil para têxtil, o investimento em tecnologias avançadas (hard tech) e uma resposta política coordenada são urgentes. “A inação é um multiplicador de risco”, alerta a publicação, reforçando que “ignorar a sustentabilidade sob condições de tensão económica não é uma estratégia de economia de custos, mas sim um multiplicador de risco que expõe as empresas a sérias perdas financeiras e danos à reputação”.

Além disso, o estudo reconhece que muitas empresas enfrentam desafios adicionais, como tarifas mais altas, incerteza geopolítica e lacunas persistentes no setor.

Entre as conclusões, a agenda destaca que a transição para sistemas circulares pode reduzir a procura global por matérias-primas virgens em 27% até 2030 e que o mercado global de vestuário em segunda mão poderá atingir 367 mil milhões de dólares até 2029.

A publicação surge como um alerta claro: a sustentabilidade não é um luxo em tempos de crise, mas uma necessidade estratégica para a resiliência e competitividade das empresas de moda.

Partilhar