Bebiana Rocha
A Humana anunciou esta semana que vai deixar de assegurar a recolha e tratamento de têxteis usados nos municípios de Caldas da Rainha, Santarém, Entroncamento, Almeirim, Moita, Évora e Estremoz, tendo já procedido à retirada de 256 equipamentos.
A decisão surge na sequência da recente alteração da legislação europeia, que torna obrigatória a recolha de têxteis usados pelas câmaras municipais. Até agora, este serviço era realizado mediante o pagamento de uma taxa de ocupação de espaço público pelos operadores, para a colocação de contentores. Com o novo enquadramento legal, este modelo deixa de ser adequado.
Sónia Almeida, promotora nacional da Humana, afirma: “É insustentável continuarmos a pagar para ter um equipamento que responde a uma necessidade municipal obrigatória”. A organização mostrou-se disponível para negociar com os concelhos a adoção de um novo modelo de operação, defendendo que devem ser asseguradas condições que garantam a continuidade e a subsistência dos operadores.
A decisão da Humana reflete também o aumento dos custos associados aos processos logísticos e operacionais de recolha e reciclagem de roupa, consequência, em grande parte, da proliferação do fast e ultra fast fashion. Este fenómeno tem gerado um maior volume de peças em circulação, ao mesmo tempo que contribuiu para a queda do valor de mercado dos têxteis usados. A organização alerta que, sem uma resposta adequada, o setor poderá colapsar.
Em 2025, a Humana recuperou 3 919 toneladas de têxteis usados em 25 municípios, com uma taxa global de reutilização de 61%.