12 janeiro 24
Feiras

Jorge Fiel

Heimtextil II: Emme ou a prova dos nove de que o small is beautiful

A história da Emme, a marca comercial de uma pequena empresa, com sede em Santo Tirso, que se chama Padrão Xadrez, é não só a coisa mais parecida com um conto de fadas que se pode arranjar na têxtil como, ainda por cima, a prova dos nove de que o small é mesmo beautiful.

“Não queremos ser maiores do que somos agora. Conheço pessoalmente todas as pessoas com que trabalhamos. Sou muito boa para caras e para nomes. Ora isso iria perder-se se deixássemos de ser pequenos”, explica Belinda Ferreira, fundadora, sócia gerente, diretora comercial, relações públicas e sabe-se lá o que mais da Emme/Padrão Xadrez.

“Como somos pequenos não nos podemos dar ao luxo de fazer grandes erros”, acrescenta Pedro Gomes, também fundador, sócio gerente e, que, de certeza, acumula mais funções na Emme.

A história começa como todas as histórias que Hollywwod adora: boy meets girl. Estamos no crepúsculo da primeira década do século XXI, Pedro, professor de Educação Física, está apaixonado por Belinda, terapeuta da fala, e está decidido que vão juntar os trapinhos.

Na origem remota da Emme está o facto de o futuro sogro de Pedro saber que ele está farto de ser professor de ginástica. E como conhecia a têxtil, onde trabalhava, o pai de Belinda sugeriu ao futuro genro montarem um pequeno negócio. Estávamos em 2009, em plena crise financeira, nascia a Padrão Xadrez e Belinda e Pedro davam o nó. Como é bom de ver, ela não tardou a juntar-se ao negócio, descontente com o novo rumo que o Estado imprimiu à terapia da fala.

No principio vendiam souvenirs estampados para turistas, aventais, guardanapos, pegas, panos de cozinha, etc, etc. Até que resolveram dar um salto em frente, mantendo-se nos artigos decorativos, mas sofisticando os produtos, que deixaram a ser estampados e passaram a ser fabricados em jacquard gobelino, estilo tapeçaria, na sequência de uma parceria estabelecida com uma fábrica valenciana.

“O processo criativo é connosco. Somos nós que concebemos e desenhamos os produtos. A tela e os acabamentos estão a cargo dos nossos parceiros espanhóis. A confeção volta a ser da nossa responsabilidade”, conta Belinda.

Em 2015, quando a Padrão Xadrez sentiu que já tinha um produto diferenciado (almofadas, no seu essencial) abalançou-se a estrear-se na Heimtextil.

“Toda a gente nos avisou que não devíamos desanimar, que até ganharmos o primeiro cliente teríamos de ser persistentes, de voltar a Frankfurt umas três ou quase vezes. Pois a primeira pessoa que se sentou no nosso stand fez logo uma encomenda”, lembra a terapeuta da fala reconvertida em empresária têxtil.

“O segredo do nosso sucesso? Temos um produto muito bom, de gama média/alta, produzido com misturas de poliésters, na sua maioria reciclados, algodão BCI e acrílico”, responde o professor de Educação Física reconvertido em empresário têxtil.

Outro segredo, que deriva do facto de serem pequenos e flexíveis, é a capacidade da Emme em aceitar pequenas encomendas. “Temos 300 referências. O cliente quer começar com uma dúzia de almofadas com gatos e outro dúzia com cães, para testar o mercado? Certo. Não tardou a fazer uma encomenda de 400 almofadas. Três semanas depois telefonou-nos a dizer que já tinham vendido 75% do produto”, exemplifica Belinda.

O terceiro segredo da Emme é fazer as vontades ao clientes. O cliente japonês adora o padrão mas como tem aqui e ali uma borboleta, não pode ser, porque sabe que a esmagadora maioria dos seus compatriotas rejeitariam comer em cima de uma toalha de mesa decorada com borboletas … Não há problema, tiram-se as borboletas do padrão. O cliente americano ficou apaixonado pelas almofadas com motivos natalícios e perguntou se a Emme seria capaz de criar uma decoração adequada ao Halloween? Claro que sim, que a Emme é capaz e vai fazer.

A Emme/Padrão Xadrez é uma empresa pequena, mas está a crescer, o seu efetivo vai aumentar brevemente em 25% – de oito para dez (par de fundadores excluido). Mas a produtividade é altíssima. Com 8+2 pessoas fecharam 2023 com um volume de negócios de dois milhões de euros, exportando para 26 diferentes países e tendo como clientes gigantes como a espanhola Inditex ou a norte-americana PJ Maxx. É ou não é um conto de fadas?

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