Raposo Antunes
Não é propriamente por se estranhar para depois se entranhar que o casal Márcia Maia e João Ferreira decidiram dar o nome de AoMar à empresa de vestuário casual sport que criaram em 2015, em Guetim, Espinho.
Embora certamente não desdenhem a ideia do seu vestuário se vir a entranhar no mercado, foi por razões bem mais prosaicas que adoptaram este nome – pura e simplesmente juntaram as duas últimas letras de João às primeiras três de Márcia e construíram a AoMar.
Claro que também contribuiu o facto de ambos, ele licenciado em Educação Física e ela em Terapia da Fala, terem um enorme fascínio pelo mar (não fossem eles residentes em Espinho), de tal forma que não perdem a oportunidade de, aos 34 anos, continuarem a caminhar junto à praia de Espinho.
E foi nessas caminhadas que perceberam a importância de usar vestuário casual sport e que a ideia de o produzir surgiu. “Nenhum de nós tinha nada a ver com o sector têxtil”, conta Márcia Maia, que além de idealizar/desenhar as peças que agora vende (seja através do Facebook ou do showroom de que dispõem em Espinho) ainda mantém a sua actividade na área da Terapia da Fala.
O caso do marido é também semelhante, mas mais pitoresco, do género “a minha vida dava um filme”. E dava mesmo. Licenciado em Educação Física, João Ferreira trabalha actualmente com o pai na empresa deste, a MKT que se dedica ao comércio de madeiras. Mas este é apenas um capítulo, já que os restantes passam pela Arábia Saudita, onde João trabalhou como preparador físico de uma equipa de futebol treinada pelo antigo campeão do FC Porto Eurico Gomes, que tinha como adjunto Amaral, também ele antigo guarda-redes do FCP e agora comentador desportivo na Correio da Manhã TV. Antes e entretanto, João Ferreira foi treinador do Avintes, dos Dragões Sandinenses, e de outras equipas da região, que Márcia já não se recorda.
Ao mesmo tempo que faziam percursos profissionais completamente distintos, Márcia e João decidiram alargar o espectro das suas vidas ao têxtil. “Começamos em 2015, encomendando a algumas fábricas a produção do vestuário casual desportivo para homem e mulher”, recorda a especialista em Terapia da Fala.
O passo seguinte foi dado um ano depois com a entrada no vestuário infantil. “Percebemos que se contratássemos modelistas conseguíamos fazer uma maior variedade de peças e diminuíamos os stocks”, explica Márcia. E assim foi. Hoje têm três modelistas a trabalhar para a AoMar, aperfeiçoando as peças que ela idealiza.
A aposta no vestuário infantil começou a produzir frutos, de tal forma que a AoMar já integra a plataforma MariaMinho que reúne várias marcas portuguesas. “Neste momento vendemos mais vestuário para criança do que para adulto”, diz, revelando ainda que os sweats com capuz se vendem quase como pãezinhos quentes.