Bebiana Rocha
O consórcio GIATEX apresentou hoje, na Fábrica Santo Thyrso, os resultados do projeto dedicado à gestão eficiente da água. Na abertura da sessão, Vera Araújo, Head of Division da INVEST Santo Tirso, em representação da Câmara Municipal, destacou o momento como uma afirmação clara da capacidade de colaboração e inovação do sector têxtil e vestuário.
“A indústria têxtil, tantas vezes associada ao passado, é um sector de futuro, dinâmico, altamente tecnológico e competitivo à escala global”, sublinhou, frisando que mais do que os números importa o impacto gerado pela iniciativa.
A responsável lembrou ainda que não há desenvolvimento sem investimento, deixando um agradecimento às empresas e entidades do consórcio pela ambição demonstrada. “Isto não é um ponto de chegada, é um ponto de partida para novas iniciativas”, afirmou, reforçando que o GIATEX contribuiu para um ecossistema mais preparado para responder a desafios ambientais e digitais.
Concluiu a intervenção apelando à transformação dos ativos adquiridos em impacto concreto, manifestando confiança no talento, na capacidade e na visão estratégica das empresas.
Seguiu-se Mário Jorge Machado, em representação da Adalberto Textile Solutions, entidade líder do projeto, com uma mensagem otimista centrada na melhoria contínua. “Podemos fazer uma melhor utilização deste recurso escasso. Podemos encontrar soluções, quer ao nível dos processos, quer da reciclagem”, afirmou, mostrando-se confiante na possibilidade de, no futuro, as tinturarias operarem em circuito fechado, apoiadas em tecnologias de recirculação da água desenvolvidas no âmbito do GIATEX.
Na qualidade de vice-presidente da ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal, aproveitou ainda para referir as negociações com a Águas do Norte, no sentido de alertar para as transformações do sector e a necessidade de rever o modelo de cobrança de efluentes. Com a recirculação, explicou, os efluentes tenderão a tornar-se mais concentrados: “Vamos entregar a mesma carga poluente, mas mais concentrada”.
O empresário salientou também que o investimento na poupança de água gera um duplo benefício, uma vez que está diretamente associado ao consumo de energia – um fator determinante nos custos dos processos e, consequentemente, na competitividade do sector nacional e europeu. Neste contexto, considerou que os avanços alcançados contribuem para dotar a Europa de melhores ferramentas competitivas.
A intervenção abordou ainda a importância de assegurar condições de concorrência justa e de garantir a continuidade do projeto, alargando os seus resultados a empresas fora do consórcio. “Estamos abertos a disponibilizar conhecimento não só aos membros, mas a toda a indústria, para melhorar o ecossistema”, reforçou, dirigindo-se também ao IAPMEI para sublinhar a necessidade de políticas que apoiem esta disseminação.
Por fim, estabeleceu a ligação entre os resultados obtidos e o potencial contributo para o passaporte digital de produto, nomeadamente ao nível de dados sobre consumo de água e impacto ambiental.
A sessão de abertura encerrou com a intervenção de António Amorim, da direção do CITEVE, que reiterou a missão do Centro Tecnológico em apoiar o sector. Manifestando disponibilidade para abraçar novos desafios, tendo em conta a transversalidade dos têxteis a diferentes áreas de aplicação. Terminou agradecendo a confiança depositada pelas empresas no CITEVE para levar o projeto a bom porto.