23 julho 26
Retalho

Bebiana Rocha

Galeria revê 33 lojas na Alemanha e acelera reestruturação da rede

A cadeia alemã de grandes armazéns Galeria colocou 33 das suas 83 lojas sob avaliação, numa nova fase do plano de reestruturação da empresa. A informação foi avançada esta quinta-feira pela publicação ACROSS, que revela que o futuro destas localizações dependerá das negociações em curso com os proprietários dos imóveis. Caso não sejam alcançados acordos de arrendamento considerados economicamente viáveis, as lojas poderão encerrar.

Em causa está a revisão do portefólio imobiliário da retalhista, que pretende reduzir os custos de ocupação através de rendas mais baixas e, em alguns casos, do ajustamento da área comercial. As 33 lojas identificadas como prioritárias estão localizadas em cidades como Berlim, Colónia, Munique, Mannheim, Braunschweig, Mainz e Potsdam, embora a empresa pretenda também renegociar as condições de arrendamento das restantes 50 unidades da rede.

Segundo a Galeria, a seleção das lojas teve por base fatores como os custos de arrendamento, a rentabilidade de cada unidade, as despesas de manutenção dos edifícios e a importância estratégica de cada localização. Em paralelo, está igualmente a avaliar a transferência de algumas lojas para imóveis mais adequados e a abertura de novas unidades, numa reorganização da sua presença no mercado alemão.

A reestruturação é apoiada por uma linha de financiamento de até 160 milhões de euros, disponibilizada pela norte-americana Gordon Brothers, no âmbito de um plano de recuperação que prevê uma nova otimização da rede, redução de custos, aumento da produtividade das áreas comerciais e modernização do modelo operacional.

Com cerca de 12 mil trabalhadores, presença em aproximadamente 70 cidades alemãs, cerca de 185 milhões de visitantes por ano e um marketplace com mais de 1.500 marcas, a Galeria continua a ser o maior operador de grandes armazéns da Alemanha e um dos principais canais de distribuição de moda naquele mercado.

Para a indústria têxtil e do vestuário portuguesa, a evolução da Galeria é acompanhada com atenção, uma vez que várias das marcas comercializadas pela cadeia recorrem a fornecedores nacionais. Uma eventual redução da rede poderá traduzir-se numa menor exposição destas marcas no retalho físico alemão.

O processo em curso reflete também uma mudança mais profunda no setor. O futuro das lojas deixou de depender apenas do volume de vendas e passou a estar fortemente condicionado pelos custos de ocupação e pela capacidade de renegociar contratos de arrendamento celebrados num contexto económico diferente do atual. Ao mesmo tempo, a evolução dos hábitos de consumo e dos canais de distribuição tem levado os grandes retalhistas a reduzir área comercial, privilegiando redes mais eficientes e uma maior integração entre as lojas físicas e o comércio eletrónico.

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