Bebiana Rocha
Mais de 5,5 milhões de metros de tecido importados ilegalmente da China para a Itália foram apreendidos numa operação conduzida pela Guardia di Finanza de Prato, na região da Toscana, sob coordenação do gabinete de Bolonha do European Public Prosecutor’s Office (EPPO). A ação revelou graves infrações aos direitos aduaneiros e ao IVA, culminando ainda na apreensão de mais de 237 mil peças de vestuário.
Ao longo de mais de um ano, as autoridades realizaram inspeções sistemáticas a camiões estrangeiros com destino a Prato, um dos principais polos têxteis italianos. Estas fiscalizações permitiram identificar as principais rotas e pontos estratégicos utilizados para o transporte, armazenamento e transferência de grandes volumes de mercadoria.
Segundo a publicação La Spola, o objetivo da investigação passou por cruzar os dados declarados na documentação fiscal com os dados reais do transporte, detetando discrepâncias significativas. No final do ano passado, as autoridades concluíram que existiam unidades locais aparentemente inativas que, na realidade, integravam os fluxos comerciais. Na prática, os tecidos eram importados ilegalmente e encaminhados para armazéns com recurso a documentos de transporte falsificados.
“As faturas simulavam um percurso comercial através de empresas estrangeiras – polacas e alemãs – que eram inexistentes ou encontravam-se inativas”, refere a notícia. Durante as buscas, foram igualmente apreendidos dispositivos informáticos e documentação contabilística relevante para a investigação.
Em termos quantitativos, a La Spola avança que, no final de outubro, foram apreendidos 21 mil rolos de tecido. Estamos a falar de mais de 2,3 milhões de metros que tinham sido importados sem o pagamento de direitos aduaneiros, estimados em 1,3 milhões de euros. Controlos adicionais revelaram outras situações de fraude fiscal, elevando o total apreendido para mais de 7,8 milhões de metros de tecido, avaliados em mais de 10 milhões de euros. A fuga ao fisco é estimada em 3,6 milhões de euros.
Este caso vem reforçar a necessidade de um controlo fronteiriço mais eficaz na União Europeia. A EURATEX tem defendido de forma consistente o reforço dos controlos aduaneiros, sublinhando que situações como esta confirmam a importância de impor limites à concorrência desleal que penaliza a indústria têxtil europeia.