18 maio 26
Economia

Bebiana Rocha

Fórum para a Competitividade traça cenário económico de maior volatilidade global

A Nota de Conjuntura de abril do Fórum para a Competitividade destaca a projeção de abrandamento do crescimento global apresentada pelo FMI, de 3,4% em 2025 para 3,1% em 2026. O documento sublinha ainda a forte queda na confiança dos consumidores portugueses, que atingiu o valor mais baixo desde abril de 2023, bem como o aumento da inflação de 2,7% para 3,4%, explicado sobretudo pela subida dos preços da energia.

A publicação refere também a revisão em baixa, por parte do Ministério das Finanças, da previsão de crescimento do PIB para este ano, de 2,3% para 2,0%, passando igualmente a prever um saldo orçamental nulo, em vez do excedente de 0,1% do PIB anteriormente estimado.

No final do mês, o Governo apresentou o PTRR — Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência, um programa com um volume global estimado de 22,6 mil milhões de euros, a executar ao longo de nove anos, entre 2026 e 2034. Nesta edição da Nota de Conjunta é apresentado este instrumento de apoio, cujo montante será distribuído por três pilares: recuperar (5,33 mil milhões de euros), proteger (14,97 mil milhões de euros) e responder (2,32 mil milhões de euros).

Relativamente à conjuntura internacional, o documento destaca que, no primeiro trimestre, o PIB dos Estados Unidos acelerou de 0,5% para 2,0% em termos anualizados, “com um forte contributo do investimento impulsionado pela IA, a compensar o abrandamento das despesas das famílias (de 1,9% para 1,6%)”. Ainda assim, a taxa de inflação subiu significativamente em março, de 2,4% para 3,3%.

Na China, o PIB cresceu acima do esperado. A Nota de Conjuntura refere que “acelerou de 4,5% para 5,0% no primeiro trimestre de 2026”. Contudo, em março, as exportações chinesas abrandaram muito mais do que o previsto, passando de 21,8% para apenas 2,5%, sinalizando que o comércio externo começa a ressentir-se das perturbações no Médio Oriente.

Já na Zona Euro, a atividade económica contraiu em abril. “A queda da atividade centrou-se nos serviços, enquanto na indústria a produção aumentou, sobretudo para criar stock de segurança”, refere o documento.

Na nota conclusiva, o Fórum para a Competitividade considera que “a guerra no Médio Oriente deverá dominar o cenário económico internacional pelos vários canais através dos quais afeta as economias: preço da energia, dinamismo económico, turismo, política monetária, condições financeiras, entre outros”.

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