Bebiana Rocha
A economia portuguesa deverá entrar numa fase de crescimento mais moderado nos próximos anos, num contexto marcado por incerteza internacional, inflação persistente e desafios estruturais à competitividade. Ainda assim, o mais recente boletim do Fórum para a Competitividade identifica sinais positivos para as empresas exportadoras, destacando a recuperação das vendas de bens para alguns dos principais mercados do setor têxtil e vestuário.
O Fórum estima que o crescimento do PIB abrande de 1,9% em 2025 para um intervalo entre 1,7% e 1,9% em 2026, antecipando apenas uma melhoria marginal para entre 1,8% e 2,0% em 2027. Mais preocupante, sublinha, é o facto de não ser esperada uma recuperação mais expressiva após este abrandamento, refletindo “fragilidades estruturais da economia portuguesa”.
Entre os fatores externos de maior risco, o documento aponta a instabilidade geopolítica no Médio Oriente e o bloqueio do Estreito de Ormuz, cenário que continua a afetar diretamente a atividade económica através da energia, dos transportes e das cadeias de abastecimento.
Apesar deste enquadramento, o Fórum identifica sinais de recuperação no comércio externo. As exportações portuguesas de bens registaram melhorias em mercados estratégicos para a indústria têxtil e do vestuário, com destaque para Espanha, onde cresceram 1,1% em abril, e Alemanha, que apresentou uma subida de 16,6% em maio.
O boletim refere igualmente que a recente depreciação do euro poderá atenuar os efeitos mais restritivos sobre a atividade económica, ao reforçar a competitividade das exportações portuguesas para mercados fora da zona euro.
Ao nível da procura interna, o Fórum considera que o consumo privado deverá perder dinamismo em 2026, “na sequência do desaparecimento de estímulos fiscais extraordinários e do impacto das taxas de juro mais elevadas”. Paralelamente, “a taxa de poupança das famílias aumentou para 12,3%, um dos níveis mais elevados dos últimos anos”, refletindo uma maior prudência por parte dos consumidores.
Também a inflação continua a ser apontada como um fator de preocupação. Embora o Fórum reconheça a resiliência do consumo e do investimento, considera que as pressões sobre os preços deverão persistir. Neste contexto, recorda que o Banco Central Europeu aumentou, em junho, as taxas diretoras em 0,25 pontos percentuais, fixando a taxa da facilidade permanente de depósito em 2,25%, ao mesmo tempo que antecipa que a inflação apenas estabilize na meta de 2% em 2028.
No investimento, o cenário permanece mais favorável. O Fórum assinala um aumento do “investimento em máquinas automáticas para processamento de dados”, tendência que reflete o reforço da digitalização das empresas. O dinamismo do investimento continua igualmente apoiado pela fase final de execução do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
Perante este enquadramento, o Fórum para a Competitividade defende que o reforço da produtividade nacional dependerá da concretização de reformas administrativas e da simplificação dos processos burocráticos, considerando estas medidas essenciais para melhorar a competitividade das empresas portuguesas num contexto económico que deverá permanecer exigente nos próximos anos.