07 janeiro 25
Economia

Bebiana Rocha

Fórum para a Competitividade estima “ano de elevado risco”

O Fórum para a Competitividade, do qual a ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal faz parte, dá conta de “um ano de elevado risco” na sua nota de conjuntura de dezembro. Um dos maiores riscos é o novo Presidente dos EUA, que toma posse a 20 janeiro, diz Pedro Braz Teixeira, diretor do gabinete de estudos.

“A componente mais preocupante para a economia mundial em 2025 é a ameaça de uma escalada protecionista”, continua. No resumo executivo é explicado mais detalhadamente porquê: “se tivermos a receada escalada protecionista a economia portuguesa deverá sofrer por três vias: efeito direto sobre as exportações para os EUA; efeito de debilidade dos nossos mercados de exportação, afetados pelas tarifas; efeito de resposta da China, que deverá vender na União Europeia aquilo que não conseguir vender nos EUA, a preços muito competitivos”.

Segundo o documento, a tendência internacional que se desenha é que haja uma diminuição do comércio entre blocos, acompanhado por um aumento das transações intra-blocos, o que se alinha com a reindustrialização em curso na Europa, da qual Portugal deve tomar parte. Outro ponto que está a pesar para um ano de elevado risco é o facto de não haver uma liderança forte e clara prevista para grande parte do ano na Alemanha e na França, que estão a passar por uma fase de instabilidade política.

A nota de conjuntura adianta também que a inflação subiu em dezembro de 2,5% para 3%, sendo a inflação média anual de 2,4%. Os pagamentos a beneficiários diretos e finais do PRR também estão lentos. “Subiram apenas 334 milhões para 6129 milhões de euros”, o que corresponde a 28% do total, continuando a não serem perspetivadas melhorias na sua execução. Por fim, mencionar que em novembro a despesa total do Estado continuava a baixo do orçamentado, mas com uma despesa corrente acima do antecipado.

No entanto, a esperança mantém-se, uma vez que em dezembro o clima económico melhor. O Fórum para a Competitividade estima uma aceleração do PIB no 4ª trimestre de 0,2% para entre 0,2% e 0,5% em cadeia. “Para o conjunto do ano o PIB deverá crescer entre 1,5% e 1,6%”, calcula.

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