25 outubro 23
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Fórum ATP: Têxteis nacionais têm condições para liderar a mudança

Na longa sequência de acontecimentos que começou com a entrada da China na Organização Mundial do Comércio (em 2001) e culminou na guerra Israel-Hamas, este “é um dos momentos mais desafiantes para o sector”, mas é também um momento em que os empresários vão dar mostras de que conseguem liderar “o mundo novo que está a surgir”, disse Mário Jorge Machado no 25º Fórum da Indústria Têxtil.

O presidente da ATP falava no âmbito do que convencionou chamar-se o discurso do ‘estado da nação’ dos têxteis e do vestuário nacional, fortemente impactado “pela entrada da China na OMC, pela pandemia e a consequente quebra das cadeias de abastecimento e da alteração de perfil de consumo, das guerras e do aumento dos custos das energias e finalmente com a nova guerra Israel-Hamas”.

“Tudo isto com impactos diretos no sector”, recordou – que por isso mesmo se tem revelado “um sector resiliente”, entre outras razões porque “acreditamos em nós e nos nossos projetos”. “Estamos a entrar num mundo novo, com novos desafios”, “tendo em vista a sustentabilidade e a circularidade”, patrocinadas “pela nova legislação da União Europeia”. A indústria têxtil e do vestuário portuguesa tem dado mostras de saber manter-se na linha da frente da resposta a estes desafios: “criamos tendências” e a inovação nacional é sobejamente reconhecida em todo o mundo.

Mário Jorge Machado não deixou de realçar o contributo do associativismo para este ‘empoderamento’: “devo realçar o contributo da federação europeia Euratex no processo com Bruxelas. Sem têxteis fortes, sem capacidade negocial, não vamos conseguir fazer passar a nossa mensagem para influenciar a política”. E vale a pena recordar que, no quadro da Euratex, a ATP tem um papel cada vez mais relevante”.

Entre as várias novas obrigações, disse o presidente da ATP, estão as regras ESG, Environmental, Social and Governance – que são uma espécie de culminar (ou talvez mais uma etapa) da aposta na sustentabilidade e na circularidade. Mas essa é, disse, uma oportunidade e não uma ameaça – até porque, no interior da União Europeia, as regras serão iguais para todos (os produtores internos e os externos que queiram vender no bloco dos 27).

“Estamos a ser ouvidos pelos decisores políticos: as regras vão ser obrigatórias para quem quer vender na Europa e as associações tiveram um papel importante. Por duas razões: porque não podemos ter uma Europa limpa e um planeta sujo e porque os produtores externos vão ter que investir na sustentabilidade”.

Antes da intervenção de Mário Jorge Machado, a diretora-geral da ATP, Ana Dinis, tinha feito o necessário e exaustivo enquadramento económico. Numa intervenção de fino recorte técnico, Ana Dinis foi mais além dos números e explicou quais são as perspetivas imediatas de desenvolvimento do sector.

Referência ainda para o presidente da Câmara de Barcelos, que acolheu o fórum, que disse na sua curta intervenção que, como região de base do sector, tudo fará para o apoiar: “vamos lançar desafio ao governo para reduzir os impostos que pesem sobre as empresas, que sufoca essas empresas e que são um constrangimento muito pesado para o sector têxtil”. É a altura certa: o Orçamento do Estado está prestes a entrar no debate na especialidade.

 

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