07 março 19
Competitividade

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Focor preocupada com efeitos diretiva da Reach

A Focor está muito preocupada com os efeitos secundários na competitividade da industria têxtil europeia da legislação comunitária que visa controlar a importação e uso de substâncias químicas.

O que está em causa é a diretiva Reach que obriga ao registo de todas as substâncias importadas de fora da UE, para análise e estudo do seu impacto ambiental e no ser humano. Ora o registo obriga a um pagamento de cerca de 100 mil euros por cada substância, sendo apenas dispensável para quantidades inferiores a uma tonelada/ano por empresa.  

As consequências desta medida já se começaram a fazer sentir no dia da dia das empresas, com a inflação do preços dos produtos químicos para a têxtil – e a sua crescente escassez no mercado. 

Apesar da regulamentação Reach ter entrado plenamente em vigor a 1 de junho do ano passado, os seus efeitos práticos fizeram-se sentir ao retardador na vida das empresas químicas europeias, que naturalmente dispunham de bastante matéria prima em stock.

“É normal que um corante tenha quatro componentes, o que quer dizer que o custo do seu registo se eleva a 400 mil euros, ou seja um valor absolutamente incomportável para uma PME”, argumenta Conceição Tedim, diretora do Departamento Têxtil da Focor,  cujas vendas anuais rondam os seis milhões de euros e representam cerca de metade do volume de negócios da divisão de produtos químicos do grupo fundado por Vasco Faria.

Conceição Tedim não nega a boa intenção subjacente a uma legislação que tem como objetivo proteger a sustentabilidade da Terra e a saúde e bem estar dos cidadãos. Mas questiona abertamente as implicações do elevado custo dos registos. O remédio até pode ser bom, mas os efeitos secundários são péssimos. E já toda a gente sabe que de boas intenções está o Inferno cheio…

“Apelo a que os legisladores analisem com calma todos os aspetos desse problema. E tenham em atenção as implicações da diretiva Reach na competitividade das PME químicas e têxteis europeias”, diz a responsável da Focor.

Na opinião desta engenheira química, o Reach favorece as multinacionais, devido aos grandes volumes de comercialização a nível mundial, estrangula a nossa importação, reduz drasticamente a possibilidade de seleção de fornecedores e diminui a competitividade da nossa ITV ao inflacionar o custo dos produtos químicos.

“Ficámos muito confusos. Sabemos que a sustentabilidade do planeta tem um custo e estamos dispostos a pagá-lo, mas não podemos aceitar que se exige tudo à indústria têxtil europeia e se permita quase tudo aos têxteis vindos por exemplo, do Bangladesh, India ou Paquistão”, conclui a diretora do Departamento Químico da Focor.     

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