Bebiana Rocha
A Fitexar é hoje liderada por António Alexandre e Manuel Falcão, netos do fundador, hoje únicos acionistas. Com 70 anos de história a empresa continua de ótima saúde e a investir para dominar o mercado dos fios técnicos. “Viemos para trazer novas ideias”, diz a dupla ao T Jornal.
“Juntei-me à empresa há cerca de cinco anos, o meu irmão juntou-se há cerca de um ano. Desde que me juntei à empresa que iniciamos o processo de sucessão do nosso Pai, que foi feito aos poucos e já está 100% finalizado”, contextualiza António Alexandre.
Com a passagem da empresa houve também um desvincular da Fitexar do grupo Falcão, adianta: “fizemos uma espécie de spin off do grupo Falcão e houve uma separação total por motivos estratégicos. Estamos focados apenas nos fios”.
De 2021 até ao momento foram vários os investimentos que a empresa fez em maquinaria para poder trabalhar novos segmentos e de maior valor acrescentado.
“Queremos fugir ao mercado têxtil tradicional, e caminhar no mercado do têxtil técnico. Estamos, por exemplo, muito focados em crescer no sector da área médica”, continua António Alexandre. “Foi onde mais crescemos nos últimos dois anos. Temos alguns clientes em Portugal, mas principalmente no estrangeiro”, traça.
“É um sector difícil onde há muita regulamentação, e pode demorar anos para conseguirmos trabalhar um cliente novo (temos um cliente que produz filtros de hemodiálise com fios da Fitexar, que estão em contacto com o sangue, que desenvolvemos esse know-how dentro de portas e demorou quase 5 anos a aprovar o produto”, chama à atenção.
O investimento em nova maquinaria para conseguir responder a este segmento tão específico foi enquadrado num projeto de inovação produtiva 2020. “Terminou o ano passado, incluiu também máquinas para recobrimento para fazer fios com elastano. Queríamos aumentar a nossa capacidade nos fios recobertos com as melhores tecnologias do mercado, também para outras áreas técnicas como o desporto/seamless e work-wear”, vincou. Entre os produtos para work-wear, já desenvolveram, por exemplo, um fio técnico para luvas anticorte, que incorporam fibra de vidro. No desporto/seamless, a Fitexar tem se vocacionado cada vez mais no desenvolvimento de fios com elastano e dos fios Mélange com a sua marca própria (Fitmix).
Mas não se fica por aqui, adquiriram também uma máquina nova automática de texturizar fio para começar a trabalhar noutros projetos inovadores: “a nova máquina foi um investimento de cerca de 1 milhão de euros, que chegará no próximo mês de junho”, faz questão de dizer, acrescentando que até ao final de 2025 está previsto um investimento de mais 2 milhões de euros relativo ao projeto PRR BlueBiotech.
No seguimento das políticas e metas de descarbonização a Fitexar contempla ainda um investimento de 200 mil euros. A empresa também já investiu no passado em painéis fotovoltaicos para auto consumo.
Todo este investimento “só foi possível devido ao desempenho da empresa nos últimos dois anos”. De 2021 para 2022 a Fitexar registou um crescimento de 30%, de 2022 para 2023 foi registado 15%. António Alexandre faz questão de acrescentar que “O crescimento não se deveu só aos investimentos produtivos, mas também a todos os projetos de I&D internos, resultante de uma aposta continua na área de produtos técnicos e diferenciadores”.