23 janeiro 26
Inovação

Bebiana Rocha

Fio 100% reciclado vence terceira edição do concurso Be@t by Be@t

Um fio 100% reciclado, criado pela AllCost e pela jovem designer Nicole Feliciano, a partir de resíduos de fibras naturais, foi o vencedor da terceira edição do concurso Be@t by Be@t, coordenado pela BCSD Portugal, com o apoio do CITEVE e da ModaLisboa.

A iniciativa tem como objetivo promover o contacto entre jovens designers e empresas, contando para isso com duas vertentes de trabalho: ideação e aceleração. A primeira fase procurou estimular a criatividade dos designers de moda para o desenvolvimento de soluções têxteis sustentáveis, numa segunda parte, de aceleração, os quatro designers selecionados foram desafiados a desenvolver propostas para responder a desafios específicos das empresas AAC Têxteis, AllCost e Cordeiro e Campos.

Nesta edição, a jovem Nicole Feliciano e a AllCost foram as vencedoras com um fio criado a partir de resíduos de corte da empresa de têxteis-lar, combinado com quitosana para reforçar a estrutura e prolongar o ciclo de vida do material.

Ana Viamonte, do departamento de comunicação, explicou ao T Jornal esta sexta-feira que se tratou de um trabalho de equipa, com apoio do responsável de laboratório da AllCost, da equipa de design de produto, e outros elementos. Realçou ainda que os resíduos de corte da empresa são separados e encaminhados para uma empresa que os tritura e transforma num novo fio, mostrando aqui a importância da colaboração e das parcerias.

O fio foi posteriormente aplicado num saco e num kimono, ambos produtos com passaporte digital de produto, os primeiros da AllCost. “O que torna este fio único no mercado é o facto de ser feito exclusivamente de materiais naturais, como liocel e algodão, resultando num fio biodegradável, com toque suave, também indicado para roupa de cama”, avança a responsável.

A empresa já tem clientes interessados nesta opção sustentável e pretende, no futuro, implementar uma separação por cores para permitir mais opções. Sobre a quitosana, Ana Viamonte explicou ao T Jornal que este componente deriva de cascas de camarão e é usado para conferir propriedades específicas ao fio, nomeadamente maior resistência.

Salientar que todo o processo foi testado não só no laboratório da empresa, mas também no CITEVE, demonstrando ser viável e escalável industrialmente. Esta parceria foi desenvolvida ao longo de seis meses e o resultado pode ser visto num vídeo.

Quanto aos outros finalistas, Francisca Santos e a AAC Têxteis desenvolveram em conjunto uma app chamada Dubbletex, que conecta fábricas, designers e consumidores para colocar excedentes a circular de forma contínua, colaborativa e criativa.

Já Luís Carvalho e a Cordeiro e Campos criaram duas coleções cápsula que dão nova vida a excedentes, sendo que Tie the Knot aposta no upcycling de peças com defeito e sobras de produção.

Por fim, Adriana Oliveira também trabalhou com a Cordeiro e Campos, mas num sistema modular de vestuário que transforma deadstock e felpa em peças funcionais; Eclosão desmonta-se e reinventa-se.

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