02 janeiro 24
Empresas

Ana Rodrigues

Fibras sintéticas continuam a vencer as fibras naturais

A produção mundial de fibras sintéticas atingiu cerca de 75,5 milhões de toneladas em 2022, representando 65% das fibras produzidas mundialmente. A sua quota de mercado está a aumentar em detrimento das fibras naturais, enquanto as próprias fibras celulósicas estão a ganhar terreno.

Tendo caído de 111 para 109 milhões de toneladas em 2019 e 2020, a produção mundial de fibras começou a aumentar novamente no ano seguinte: 113 milhões de toneladas. Segundo o relatório ‘Materials Market Report 2022’, da Textile Exchange, a progressão continuou em 2022 e aumentou para 116 milhões de toneladas.

Assim, em 2022, os têxteis sintéticos representaram cerca de 65% das fibras produzidas mundialmente, em comparação com 62 e 64% nos dois anos precedentes. Por seu turno, o poliéster continua na liderança com 54% das fibras produzidas ao longo do ano, à frente da poliamida (5%) e de outros materiais sintéticos como polipropileno, acrílico ou elastano (5,2%).

A este panorama das fibras artificiais somam-se as fibras celulósicas representando uma produção de 7,3 milhões de toneladas em 2022, ou seja, 6,3% da produção mundial de fibras. Uma quota que mantém a progressão conhecida desde os 5,9% de quota de mercado apresentados em 2020. No ano passado, a produção foi dominada pela viscose (4,73% da produção de fibras), à frente do acetato (0,78%), liocel (0,26%), modal (0,17%) e Cupro (0,01%).

Já no que contende com as fibras vegetais, a produção ascendeu para 31,5 milhões de toneladas em 2022 (27% da produção mundial), esta quota diminui assim face aos 28% apresentados em 2021 e aos 29,9% observados em 2020. O algodão continua a ser o que tem mais representatividade: 25,5 milhões de toneladas produzidas em 2022, representando 22% da produção mundial de fibras, à frente do linho (0,32%), cânhamo (0,26%) e outros (4,6%).

Ainda no domínio das fibras naturais, as fibras animais – que não incluem o couro – representaram 1,9 milhões de toneladas produzidas em 2022 (1,6% da produção mundial), o que mostra uma ligeira progressão das quantidades nos dois últimos anos e um nível mediano entre as quotas de mercado conhecidas nestes dois exercícios. Já, a lã representa cerca de 1,1 milhão de toneladas (1% das fibras mundiais), à frente das penas (0,52%), seda (0,08%) e outras.

Por fim, os dados relacionados com as fibras recicladas mostram uma contração na participação dos poliésteres reciclados. Estes representaram 14,8% dos poliésteres produzidos mundialmente em 2021, isto é, uma diminuição para 13,6% em 2022. No algodão, a participação do reciclado permanece estável entre os dois anos, com 1% da produção de algodão. Esta estabilidade também se aplica ao elastano (3% reciclado) e às poliamidas (2%). Por outro lado, a percentagem de reciclagem da lã passa no espaço de um ano de 6 para 7%.

A produção de couro representa cerca de 13,4 milhões de toneladas durante o ano: as vacas representaram 70% da produção, muito à frente dos ovinos (14%), caprinos (10%) e búfalos (6%).

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