25 outubro 23
Empresas

Ana Rodrigues

Fernando Alexandre: a I&D como alavanca do desenvolvimento

Num sector que nos anos 2000 era o que mais exportava, Fernando Alexandre explica as transformações profundas que sofreu, mas salienta que precisa de continuar a inovar. Sendo o I&D uma aposta ainda com valores baixos, ficou claro que “um ambiente de inovação tem que permitir novas empresas”.

Numa palestra que versou sobre o tema ‘Construir uma competitividade da ITV pela Diferenciação e Valor num contexto de Transição de Paradigma’, o Key Speaker do 25º Fórum da Indústria Têxtil, Fernando Alexandre, Professor da Universidade do Minho, caracterizou o sector têxtil e do vestuário para detalhar de que forma este segmento pode continuar a responder aos desafios.

Ainda que a ITV tenha perdido peso face a outros sectores, há “um crescimento expressivo na produtividade, o que se reflete nas exportações, logo há um aumento da produção de valor. O sector reinventou-se: com as mesmas pessoas produz mais e com mais valor, mas precisamos de empresas que coloquem no estrangeiro produtos com mais valor”.

Consciente da importância da ITV para que a economia portuguesa continue a crescer – “temos que saber as suas competências, a economia portuguesa precisa disso” – o professor da Universidade do Minho recorda que “a produtividade passa pela exportação, pois permite ganhar escala: empresas em mercados externos têm mais ganhos”.

Importante é também o peso do sector na zona Norte, ainda que a ITV seja heterogénea, no sentido em que “a concentração territorial é importante, pois forma uma espécie de cluster que cria e potencia o know-how”; porém, acrescenta, “temos que ter novas grandes empresas e isso só é possível se houver espaço para surgirem novas pequenas empresas”, explicando que essas até poderiam ser spin-offs de grandes. Num ambiente em que apenas 10% são grandes empresas, “as que vão transformar a economia portuguesa são as novas, logo tem que haver espaço para que consigam crescer”.

Ora, um ambiente de inovação permite a presença de novas empresas e a sua importância fica patente na aposta no I&D, que alavanca o aumento das exportações, o aumento do VAB (valor acrescentado bruto), da produtividade e dos salários. É preciso mais: há apenas 74 empresas têxteis que apostam no I&D, implicando 16,5 milhões de euros e, nessas empresas, segundo dados de 2020, há um aumento de 50% das exportações e de 30% no VAB. Ou seja, Fernando Alexandre salienta que a competitividade passa também por este vetor, uma vez que potencia o alargamento da escala das empresas: mais produtividade, mais exportação, mais valor acrescentado.

“Se o ITV se mantiver com o crescimento que apresentou nos últimos dez anos, este sector marcará o crescimento da economia da zona Norte, mas também da economia do país”, concluiu o key speaker.

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