Bebiana Rocha
Com o objetivo de acelerar a descarbonização da indústria têxtil e do vestuário, a Fashion for Good lançou o projeto Mass Balance Demonstrator, uma iniciativa colaborativa destinada a implementar e escalar um modelo de cadeia de abastecimento baseado no sistema de atribuição por balanço de massa (Mass Balance Attribution) aplicado ao PET em aplicações têxteis.
A decisão surge num contexto em que, apesar de já existir um portefólio de materiais preferenciais e de a nova geração de materiais representar uma oportunidade para descarbonizar o sector, os biossintéticos continuam a corresponder apenas a uma pequena fração das projeções de materiais para 2030.
Em comunicado, a Fashion for Good revela que a iniciativa reúne a Paradise Textiles, Bestseller, Beyond Yoga, Levi Strauss & Co., On, Environmental Resources Management, Indorama Ventures, ISCC – International Sustainability and Carbon Certification, UPM Biochemicals e a Textile Exchange.
Em conjunto, estas entidades irão trabalhar na produção de resinas e fios com atribuição de biomassa, no desenvolvimento de um modelo robusto de emissões de gases com efeito de estufa e na criação de um roteiro prático para aumentar a utilização de PET com atribuição de biomassa no sector do vestuário.
O trabalho passará ainda pela identificação dos principais intervenientes da cadeia de abastecimento, pela avaliação das abordagens de contabilização do ciclo de vida para diferentes modelos de supply chain e pela análise da viabilidade técnico-económica da implementação desta solução no mercado.
“O verdadeiro desafio não é criar materiais melhores. É torná-los viáveis, acessíveis e convencionais”, sublinha a Paradise Textiles na sua página oficial, reforçando o seu papel enquanto ponte entre a inovação e a adoção em escala.
Inspirado em sectores como o das energias renováveis e o da madeira e papel sustentáveis, o Mass Balance Demonstrator assenta num sistema de atribuição por balanço de massa que permite misturar matérias-primas renováveis e de origem fóssil.
Na prática, o modelo funciona da seguinte forma: “um fabricante químico introduz matérias-primas renováveis, como resíduos agrícolas, num sistema de produção que também processa matérias-primas fósseis. Estas percorrem a mesma infraestrutura e os mesmos processos químicos e, ao serem transformadas em resina, tornam-se quimicamente indistinguíveis. A quantidade de matéria-prima renovável introduzida é medida e registada através de um sistema de contabilização verificado. Assim, se 30% das matérias-primas utilizadas forem renováveis, uma percentagem equivalente da produção final pode receber a atribuição de origem renovável”. Mais informações aqui.