18 novembro 22
Economia

Maria Monteiro

Exportadoras europeias em dificuldade no próximo ano

O universo de mais de 42 mil empresas exportadoras europeias vai sofrer um decréscimo acentuado nas vendas para o exterior em 2023, segundo o mais recente estudo da Eurochambres, Associação de Câmaras de Comércio e Indústria Europeias. É o impacto de um severo golpe triplo.

A pandemia, a crise energética e a guerra em curso na Ucrânia causaram fortes preocupações às empresas, que assim se veem em dificuldades no acesso a energias e matérias-primas a preços acessíveis, ao mesmo tempo que têm de lidar com a escassez de trabalho qualificado. O impacto é tanto de curto prazo, através de perturbações na produção, como de longo prazo, com a crescente necessidade de manter a competitividade face às empresas estrangeiras.

A reduzida propensão das empresas para investirem, diz ainda o estudo, é o resultado de uma perda da capacidade para operarem de acordo com volumes pré-pandêmicos, a que se acrescenta uma potencial escassez de liquidez devida ao aumento do custo dos empréstimos.

Considerando este quadro geral negativo, existe um risco real de que as empresas, especialmente nas indústrias de elevada intensidade energética, deslocalizem permanentemente para fora da Europa, o que conduziria a uma perda de competitividade e prejudicaria os objetivos da autonomia estratégica europeia, refere a Eurochambres.

“É crucial lutar por um ambiente empresarial europeu estável, não só para evitar repercussões nas operações diárias das nossas empresas, mas também para lançar as bases para uma recuperação económica sustentável após vários anos difíceis”, aponta a Eurochambres.

Considerando o panorama geral sombrio, as empresas europeias irão provavelmente suspender os investimentos planeados e dar prioridade à poupança. Este é um sinal alarmante para a recuperação pós-pandêmica, dificultando o caminho para uma Europa mais digital e mais verde, diz ainda o relatório.

Neste quadro, o Mercado Único “é uma ferramenta crucial para a recuperação da Europa”. A Eurochambres apela a um forte compromisso político para reduzir a fragmentação do mercado e remover obstáculos para permitir a criação de novas oportunidades de negócio de todas as dimensões e em todos os sectores.

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