20 maio 26
Exportações

Bebiana Rocha

Exportações do têxtil e vestuário estabilizam no 1º trimestre com sinais mistos

As exportações portuguesas do setor têxtil e vestuário atingiram em março os 517 milhões de euros, refletindo um crescimento de 9,6% em valor e 8,8% em volume, para um total de 48.749 toneladas. No acumulado do primeiro trimestre, o setor regista um desempenho misto, com um ligeiro aumento de 0,5% em valor, mas uma quebra de 1,4% em quantidade face ao período homólogo, sinalizando uma estabilização em termos de receita, embora sem recuperação total dos volumes.

A análise é da ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal, que sublinha que a evolução do trimestre reflete dinâmicas distintas entre segmentos e mercados, bem como uma reorganização das cadeias de abastecimento.

No detalhe das exportações, o segmento do vestuário apresentou maior estabilidade, com vendas a crescerem 10,8% em valor em março, para 290,8 milhões de euros. Segundo a associação, “o facto de o crescimento em valor ser o dobro do crescimento em volume pode sugerir uma melhoria do mix de produto e um foco em segmentos de maior valor acrescentado e especialização”.

Já os têxteis-lar registaram um desempenho robusto, com aumentos de 17,1% em valor e 7,9% em quantidade. Em contrapartida, verificaram-se quebras acentuadas nas fibras sintéticas descontínuas (-30%) e nos filamentos sintéticos (-17,2%).

Nos mercados, Espanha e Alemanha continuam a destacar-se como os mais críticos, com quebras em valor de -5,6% e -7,7%, respetivamente. Em volume, os maiores recuos foram registados em França, Itália e Reino Unido.

Do lado positivo, os Estados Unidos cresceram 6,6% em valor e o Canadá 21,0%. A associação refere que “o desempenho destes mercados continua alinhado com o posicionamento de Portugal enquanto fornecedor flexível e especializado”. Destaca ainda o crescimento expressivo do Vietname (+367,4%), que pode indicar novas ligações em nichos específicos.

Nas importações, o primeiro trimestre registou uma quebra de 3,7% em valor, para 1.267 milhões de euros. Esta descida está associada ao recuo de fornecedores europeus tradicionais, com destaque para os Países Baixos, Turquia e Itália.

Em sentido contrário, as origens asiáticas reforçaram a sua presença, com a Índia a crescer 22,6%, o Bangladeche 16,2% e Mianmar 219,4%. Em volume, destacam-se os aumentos de importações provenientes de França (+142,2%) e da Índia (+56,3%).

Segundo a ATP, esta evolução sugere um ajustamento dos inventários industriais e uma possível alteração nas fontes de matérias-primas, com o setor a oscilar entre o sourcing de proximidade europeu para segmentos de maior valor acrescentado e o recurso a mercados asiáticos para produtos de maior volume.

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