Bebiana Rocha
As exportações do setor têxtil e vestuário (STV) atingiram 5,5 mil milhões de euros em 2025, mantendo volumes próximos de 468,6 mil toneladas, praticamente estáveis face a 2024. Os principais destinos com crescimento foram Países Baixos, Marrocos, Vietname e Polónia, refletindo a importância do nearshoring e do papel dos hubs logísticos na redistribuição de produtos.
Em sentido inverso, registaram-se ajustes nas exportações para Itália, Alemanha, França, Reino Unido e Estados Unidos. Apesar deste contexto de maior pressão comercial, o setor manteve um saldo positivo na balança comercial, com a taxa de cobertura a situar-se nos 102,6%, evidenciando equilíbrio e resiliência entre exportações e importações.
O vestuário continuou a ser o principal segmento exportador, enquanto as matérias-primas têxteis registaram uma ligeira variação em valor e quantidade. Nos têxteis-lar e outros artefactos, observaram-se evoluções diferenciadas: crescimento de volumes em alguns subsegmentos, acompanhado por ajustes nos valores unitários. Entre os produtos com melhor desempenho destacam-se tapetes, tecidos especiais, rendas e bordados, bem como outras fibras vegetais.
No que respeita às importações, o valor global ascendeu a 5,36 mil milhões de euros, com cerca de 635,7 mil toneladas, mantendo-se estável face ao ano anterior. O crescimento registou-se sobretudo no vestuário, refletindo o aumento de produto acabado no mercado nacional.
Entre as matérias-primas, destacaram-se as fibras sintéticas descontínuas, sinalizando uma maior utilização de sintéticos na produção, e os tecidos de malha, que aumentaram em volume apesar de ligeira descida em valor. Por outro lado, algodão e lã mantiveram uma presença mais moderada, acompanhando tendências globais.
Quanto às origens das importações, os maiores crescimentos verificaram-se na Turquia, China e Países Baixos, enquanto alguns ajustes em valor ocorreram em Itália, Índia e Espanha.
No conjunto, os dados de 2025 mostram que, apesar de um contexto internacional desafiante, o setor têxtil e vestuário português mantém volumes estáveis e revela resiliência, continuando a desempenhar um papel equilibrado no comércio internacional. Para consultar os números em detalhe, contactar lucia.babo@atp.pt.