31 agosto 26
Comércio internacinal

Bebiana Rocha

Exportações da ITV crescem 3,2% no primeiro semestre

As exportações portuguesas de têxteis e vestuário cresceram 3,2% no primeiro semestre de 2026, para 2,87 mil milhões de euros, mas a evolução continua marcada por fortes contrastes. O crescimento em valor, de 88,4 milhões de euros face ao mesmo período de 2025, foi acompanhado por uma redução de 1,2% na quantidade exportada, para cerca de 254 mil toneladas, e esteve sobretudo concentrado no vestuário, enquanto segmentos a montante, como fios e tecidos, continuam sob pressão.

O comportamento mensal ajuda a explicar esta leitura cautelosa. Depois de um janeiro praticamente estável, as exportações recuaram 6,1% em fevereiro, antes de crescerem 12,4% em março e 11,1% em abril. Em maio voltaram a cair 5,2%, mas junho trouxe uma recuperação de 8,3% em termos homólogos, para 468 milhões de euros.

Em quantidade, as exportações de junho cresceram 5,5%. O resultado mensal foi, assim, mais favorável do que a média do semestre, embora a sucessão de meses positivos e negativos ainda não permita identificar uma trajetória sustentada de crescimento.

Os 468 milhões de euros exportados em junho superam os valores registados no mesmo mês de 2021, 2024 e 2025, mas permanecem abaixo dos 518 milhões de 2022 e dos 531 milhões de 2023. Em quantidade, o resultado de junho de 2026 continua também abaixo dos níveis registados nos junhos de 2021, 2022 e 2023.

Por segmentos, o vestuário foi claramente o principal motor da evolução positiva. Dos 88,4 milhões de euros adicionais exportados no semestre, cerca de 79 milhões resultaram deste segmento, cujas exportações passaram de 1.538,9 para 1.618,0 milhões de euros, um crescimento de 5,1%. Os têxteis-lar e outros artefactos têxteis confecionados também contribuíram positivamente, com uma subida de 3,3%, equivalente a cerca de 13,8 milhões de euros.

Já as matérias têxteis registaram uma ligeira redução de 0,5% em valor. Dentro deste grupo, os fios foram particularmente penalizados, com uma quebra de 19% em valor e 30% em quantidade, enquanto os tecidos recuaram 6% em valor, apesar de um aumento de 1% em quantidade. Em sentido contrário, os têxteis técnicos mantiveram uma evolução positiva, com as exportações a crescerem 11%, mais 39,3 milhões de euros. Nos têxteis-lar, destacaram-se os cortinados, cobertores e tapetes, com crescimentos em valor de 65%, 39% e 18%, respetivamente.

O valor médio das exportações passou de 10,8 para 11,3 euros por quilo. A evolução deve, contudo, ser interpretada com alguma prudência, uma vez que este indicador pode resultar de alterações nos preços ou na composição dos produtos exportados e, por si só, não permite concluir por uma melhoria das margens ou da rentabilidade das empresas.

Nos mercados externos, a União Europeia continua a concentrar a maioria das vendas da ITV portuguesa, com exportações de 2.078 milhões de euros no semestre, mais 2,9% do que há um ano, apesar de uma redução de 1% em quantidade. Nos mercados extra-UE, as exportações cresceram 3,9%, para 794 milhões de euros, enquanto o volume diminuiu 1,5%.

Espanha manteve-se como principal destino, com 675,5 milhões de euros, mais 2%. França foi, contudo, o mercado que mais contribuiu para o crescimento em termos absolutos, com mais 24,8 milhões de euros (+6%), seguida dos Países Baixos, que acrescentaram 18,4 milhões (+11,9%).

México e Vietname registaram igualmente fortes crescimentos, de 102,4% e 185,9%, respetivamente, embora partindo de bases de comparação mais reduzidas. Em sentido contrário, Itália registou a maior quebra entre os principais mercados, com menos 15,1 milhões de euros (-8,9%), seguida do Reino Unido (-7,3 milhões; -4,4%) e da Alemanha (-5,3 milhões; -2,2%).

Do lado das importações, o primeiro semestre terminou com um crescimento mais moderado, de 0,9%, para 2.632,3 milhões de euros, enquanto a quantidade importada diminuiu 5,1%. O vestuário voltou a destacar-se, com as importações a aumentarem 66 milhões de euros (+4,5%), ao passo que as matérias têxteis recuaram 36,6 milhões (-3,9%) e os têxteis-lar e outros artefactos diminuíram 6,7 milhões (-3,4%).

A diferença entre o crescimento das exportações e das importações teve um impacto positivo na balança comercial do sector. O saldo positivo da ITV passou de 174,4 milhões de euros no primeiro semestre de 2025 para cerca de 240 milhões em 2026, uma melhoria de 65,6 milhões de euros. A taxa de cobertura das importações pelas exportações subiu, por sua vez, de 106,7% para 109,1%.

Os resultados deixam, assim, uma imagem positiva em termos de valor e de posição comercial externa, mas menos favorável quando analisado o volume e a distribuição do crescimento pela cadeia.

O vestuário está a sustentar grande parte do avanço das exportações, enquanto fios e tecidos continuam a registar quebras significativas. Junho trouxe uma recuperação clara, mas a irregularidade observada desde o início do ano recomenda cautela antes de interpretar estes resultados como o início de uma recuperação sustentada das exportações da ITV portuguesa.

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