Bebiana Rocha
A Plataforma das Artes, em Guimarães, recebeu ontem o evento “O Digital para Vender Made in Portugal”, organizado pela ATP no âmbito do projeto Digi4Fashion, com o apoio do Município de Guimarães. A sessão encheu a sala para discutir temas centrais como digitalização, comunicação de impacto, influência, estratégias e storytelling.
Na abertura, Tiago Laranjeira, assessor do Presidente da Câmara Municipal, sublinhou a pertinência do encontro para o território: “Eventos deste tipo alinham-se com a estratégia de Guimarães”, afirmou, recordando que o têxtil e vestuário estão profundamente enraizados no ADN do concelho. “Há uma marca muito significativa da cultura de indústria neste território”, destacou, referindo ainda que grande parte da riqueza gerada pelo setor acaba por não permanecer na região.
Considerando que “temos de ser capazes de nos adaptar a novas formas de fazer negócio”, Tiago Laranjeira salientou que a digitalização é hoje determinante como meio de comunicação e via para o futuro, acrescentando que o encontro permitiu precisamente fazer essa ponte entre o legado industrial e os desafios atuais. Sobre storytelling, reforçou que o território está repleto de histórias relevantes e que já existem empresas a comunicá-las com excelência. “A vantagem destes encontros está em juntar a indústria e os agentes, capacitando para o futuro. Precisamos, juntos, de captar maior valor acrescentado, para o bem-estar de todos.”
Seguiu-se a intervenção de Ana Dinis, diretora-geral da ATP, que fez um enquadramento do projeto Digi4Fashion e da relevância do setor têxtil e vestuário para a economia nacional. “Na ATP fazemos este caminho da digitalização com as empresas. Precisamos de comunicar melhor o ‘made in Portugal’. Devemos ser todos embaixadores — não só enquanto profissionais, mas também enquanto indivíduos.”
Referindo-se ao contexto de mercado, destacou: “Vivemos um momento desafiante, marcado pelo consumo desenfreado da ultra fast fashion e por um consumo ainda tímido de moda sustentável. Estamos perante sinais de contração. Dentro da nossa rede de impacto devemos tentar influenciar, porque estão a acontecer coisas extraordinárias nas nossas empresas.”
No encerramento da sessão, Ricardo Silva, Presidente da ATP e CEO da Tintex Textiles, deixou uma mensagem centrada na ideia de concorrência com colaboração, sublinhando que uma não invalida a outra. “O mercado é muito grande. Se conseguirmos criar condições para trabalharmos juntos, cada um na sua especialidade, podemos ir mais longe”, afirmou, dando como exemplo a colaboração que mantém com Mário Jorge Machado, Vice-presidente da ATP e também com funções na Adalberto Textile Solutions. Destacou a importância de cada empresa saber identificar em que é que é verdadeiramente boa, compartilhando a experiência da Tintex, que atualmente se dedica exclusivamente ao tingimento de celulósicos. “Soubemos dizer que não. Soubemos passar trabalho e há negócios que nascem de passarmos trabalho ao colega do lado.”
Sobre a atuação da ATP, reforçou que a Associação está empenhada em promover uma maior colaboração no setor e em contribuir para a sua humanização. Abordou ainda a relevância dos dados e da sua correta medição para orientar decisões estratégicas, destacando o trabalho que será desenvolvido para agregar informação pública atualmente dispersa por diversas plataformas. Essa junção e concentração num só lugar pode permitir ao setor ganhar mais autoridade, propriedade e também previsão, afirmou. O discurso terminou com um apelo à criação de um movimento de moda colaborativa, deixando claro que o futuro da indústria passará por unir esforços para criar valor com propósito.
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