29 agosto 22
Indústria

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Euratex quer teto máximo no preço do gás na Europa

A Euratex, associação patronal europeia do sector têxtil, quer o lançamento urgente de “uma estratégia única europeia para lidar com a crise energética” que passe por “uma revisão do mecanismo de preços da eletricidade e um teto máximo em toda a União Europeia para os preços do gás”.

A Euratex propõe limitar os preços do gás a 80 euros por megawatt. “Devem ser concedidos apoios especiais às empresas para evitar a falência e a deslocalização da produção têxtil para fora da Europa”, afirma a Euratex. A associação destaca que houve um aumento “sem precedentes” do preço do gás e da eletricidade na Europa, o que levou algumas empresas têxteis a reduzir a capacidade e a parar a produção.

Mário Jorge Machado, presidente da ATP e membro da direção daquela estrutura europeia, disse ao T Jornal estar de acordo com a proposta e sublinha que “faz todo o sentido que os grandes consumidores europeus se juntem para impor um preço que impeça uma inflação artificial dos preços”. A inflação decorre da guerra e da troca de sanções entre a Rússia (enquanto produtora de gás) e os países ocidentais liderados pelos Estados Unidos. As sanções criaram um crescimento artificial do preço do gás, que está a ter um fortíssimo impacto na indústria (e nos particulares) da União Europeia.

A Euratex destaca ainda que se a situação persistir, “estão previstos encerramentos e transferência da produção para fora da Europa , o que levará a uma maior desindustrialização do nosso continente e a uma maior dependência de fornecedores estrangeiros”.

Segundo a Euratex, a indústria têxtil é “particularmente vulnerável ao aumento dos preços da energia”, uma vez que a produção de fibras artificiais e sintéticas, corantes e acabamentos é muito intensiva.

A Euratex também criticou “a proliferação de iniciativas nacionais contraditórias e descoordenadas para enfrentar a crise energética”. A organização destaca que esse desencontro “levou a uma fragmentação do Mercado Único, o que gerou um ambiente regulatório caótico e pressiona a nossa cadeia de fornecimento”.

Alberto Paccanelli, presidente da Euratex, destacou que “dada a situação atual, não pode ser excluído um cenário em que segmentos da indústria têxtil desapareçam”. “Isso levaria à perda de milhares de empresas e dezenas de milhares de empregos”.

A indústria têxtil e de vestuário na Europa é composta por cerca de 154 mil empresas, que empregam 1,47 milhões de trabalhadores – num sector que responde por 53 mil milhões de euros de exportações para fora da Europa.

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