Ana Rodrigues
A Euratex, juntamente com outras 22 associações de um amplo espectro de indústrias e empresas europeias (incluindo sectores industriais e alimentares), emitiu uma carta conjunta aos três presidentes da UE, a apelar a uma rápida conclusão das negociações comerciais entre a UE e o Mercosul sobre as restantes questões não resolvidas.
A carta foi dirigida ao Presidente Metsola do Parlamento Europeu, ao Presidente Michel do Conselho Europeu e à Presidente von der Leyen da Comissão Europeia e as associações sublinham a importância do acordo UE-Mercosul no reforço da integração económica e na diversificação das cadeias de valor, tanto nas importações como nas exportações.
Destacam, assim, o papel fundamental do acordo no reforço da competitividade dos sectores europeus orientados para a exportação, que são responsáveis por dezenas de milhões de empregos, mas também a contribuição para a prosperidade e os padrões de vida dos cidadãos europeus, especialmente durante um período de crescentes preocupações com a segurança económica.
Nesse sentido, o acordo UE-Mercosul apresenta uma oportunidade para a Europa estabelecer uma vantagem de ser pioneira na parceria com uma das maiores economias do mundo, nomeadamente na redução significativa das barreiras tarifárias e não tarifárias, o que melhoraria a competitividade das empresas europeias no mercado do Mercosul, que conta com mais de 270 milhões de consumidores.
Além disso, a carta reconhece o potencial do acordo para manter uma estrutura industrial robusta na UE, incluindo nas zonas rurais, e para salvaguardar o emprego e o bem-estar de milhões de cidadãos europeus.
Dada a falta de reservas substanciais da UE de matérias-primas essenciais necessárias para a transição verde e digital e a expectativa de um crescimento global substancial vindo de fora da UE na próxima década, o acordo é visto como crucial para que as indústrias europeias tenham acesso a mercados de exportação abertos e a adquirir matérias-primas de forma competitiva.
No seu compromisso com o comércio livre, justo e sustentável, as associações reconhecem a necessidade de proteger os ecossistemas únicos da região do Mercosul, acreditando que o acordo oferece fortes incentivos e as ferramentas adequadas de colaboração para cumprir os compromissos de desenvolvimento sustentável da região, incluindo a travagem da desflorestação ilegal.