Bebiana Rocha
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou ontem que Washington vai aplicar tarifas de 20% à União Europeia, que acrescem às já pagas. Entrou também em vigor, a partir da meia-noite, a aplicação de uma taxa de 25% sobre todos os automóveis fabricados no estrangeiro. Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, descreve a decisão como um “duro golpe para a economia mundial”.
“A incerteza aumentará e desencadeará uma escalada de protecionismo. A inflação vai aumentar, e todas as empresas – grandes e pequenas – vão sofrer, desde uma maior incerteza à disrupção das cadeias de abastecimento e ao aumento da burocracia. O custo de fazer negócios com os EUA aumentará drasticamente”, declara.
Em comunicado, von der Leyen lembra que, nos últimos 80 anos, o comércio entre os EUA e a Europa criou milhões de empregos e que os consumidores de ambos os lados do Atlântico beneficiaram de preços reduzidos, contrariando a afirmação de Trump de que as tarifas não são recíprocas.
“Concordo que alguns têm tirado partido injustamente das regras atuais e estou pronta para apoiar todos os esforços para adaptar o sistema comercial global às realidades da economia mundial. Mas recorrer às tarifas como primeira e última solução não irá resolver o problema”, continuou.
Como resposta, a Comissão Europeia está já a finalizar o primeiro pacote de contramedidas às tarifas sobre o aço e vai preparar novas medidas para proteger os interesses das empresas caso as negociações falhem. A porta-voz garantiu que estará atenta aos efeitos indiretos destas tarifas e que não permitirá que o mercado absorva o excesso de capacidade global.
“A Europa tem o maior mercado único – 450 milhões de consumidores – essa é a nossa âncora em tempos tumultuosos”, concluiu.
No caso da China, a tarifa decidida foi de 34%; para o Japão, 24%; para a Coreia do Sul, 25%; e para o Reino Unido, 10%.