Bebiana Rocha
O QSP realizou recentemente um estudo de mercado junto de 290 profissionais ativos em Portugal, de diferentes áreas de atividade e níveis de experiência, com o objetivo de identificar as tendências que irão moldar a economia do futuro. Intitulado Leading the Future Economy, o estudo será apresentado em detalhe durante a 19.ª edição do QSP Summit, que decorre em Matosinhos entre 30 de junho e 2 de julho.
Os resultados apontam para uma economia futura marcada por quatro grandes forças: a aceleração tecnológica, o aumento da imprevisibilidade global, a necessidade de adaptação contínua e a crescente valorização das competências humanas. Neste contexto, liderar o futuro da economia exigirá mais do que acompanhar a inovação; será fundamental transformar a incerteza em oportunidade e a mudança em vantagem competitiva, aponta a organização.
De acordo com os inquiridos, os principais riscos para as empresas nos próximos anos estarão sobretudo associados ao contexto económico e à transformação tecnológica. A inflação e os custos da energia surgem como as maiores preocupações, seguidos pelos ciberataques e pela disrupção tecnológica.
O relatório identifica ainda a escassez de talento qualificado como um desafio relevante, bem como as alterações no comportamento dos consumidores e as barreiras comerciais. Em contrapartida, os níveis de preocupação são mais reduzidos relativamente às disrupções nas cadeias de abastecimento, à desaceleração da procura e às questões regulatórias e de ESG.
O estudo faz igualmente um retrato do atual estado da economia, revelando perspetivas globais cautelosas. A maioria dos participantes antecipa um cenário de desaceleração económica, refletindo uma perceção generalizada de incerteza quanto à evolução dos mercados.
Também ao nível do investimento prevalece uma atitude prudente para os próximos 12 meses. A maior parte dos inquiridos prevê realizar investimentos moderados, direcionados sobretudo para a transformação tecnológica e digital. A inteligência artificial surge como a principal prioridade, seguida pela cibersegurança e pelo desenvolvimento de novos produtos inovadores.
No que respeita à resiliência e competitividade, o estudo revela que a maioria dos profissionais se mostra otimista quanto à capacidade das suas organizações para competir num contexto económico global cada vez mais imprevisível.
A versão completa do relatório pode ser consultada aqui.
Num setor fortemente exportador como o têxtil e vestuário português, a capacidade de antecipar tendências, adotar novas tecnologias e responder a um contexto internacional cada vez mais exigente será decisiva para manter a competitividade. Os temas em destaque no QSP Summit, da inteligência artificial à internacionalização e à liderança estratégica, cruzam-se diretamente com os desafios e oportunidades que hoje se colocam às empresas da indústria.
Neste seguimento, no programa do QSP Summit, o T Jornal destaca-se, no dia 1 de julho, a sessão Strategic Leadership in an AI Economy, no Main Stage, com Peter Zemsky. Ainda nesse dia, nos Worklabs (Palco C), terá lugar o painel Winning the Battle for Attention, que contará com a participação de Ángel Gonzálvez (Adobe), Cristina Vasconcelos (Lactogal), Filipa Roldão (Renova), Joana Santos (Google) e Bruno Lobo (Meios & Publicidade). A sessão irá abordar questões como: estamos a criar marcas memoráveis ou apenas conteúdos descartáveis? Qual é o verdadeiro poder dos algoritmos? Estaremos a desvalorizar o impacto dos canais offline?
Já no dia 2 de julho, destaque para Competing on a Global Stage, com Gonçalo Regalado (Banco Português de Fomento), Paulo Rios (AICEP) e Manuel Carvalho (Público). O debate procurará analisar o que implica internacionalizar uma empresa, os riscos associados à internacionalização face ao potencial de criação de valor, bem como as principais barreiras e mecanismos de financiamento disponíveis.
Outro dos momentos em evidência será Hacking the Brain with AI, apresentado por Alexandre Rodrigues, uma reflexão sobre a forma como a integração entre o cérebro biológico e a inteligência artificial pode gerar vantagens competitivas reais para as organizações.