T
O aumento brutal dos preços das energias – da eletricidade mas principalmente do gás – levou a que a ATP decidisse avançar com um pedido ao governo para que o Estado crie uma forma de apoio direto às empresas, com base no crescimento das faturas registado entre o que era pago há um ano e o momento atual.
Mário Jorge Machado, presidente da ATP, disse ao T Jornal que “a eletricidade sofreu aumentos de 100% e de 200%, mas o aumento do gás foi de mais 15 vezes; era como se encher o depósito de um automóvel custasse 60 euros e passasse agora a custar 1.200 euros. É incomportável: ou há um apoio ou as empresas vão começar a fechar”.
A iniciativa junto do governo resulta de uma primeira reunião que, ao longo do dia de ontem, juntou as empresas da área dos acabamentos (onde o gás pesa em média três vezes mais que a eletricidade na fatura energética mensal), a que se segue, na tarde de hoje, 10 de março, reunião idêntica, desta vez com as empresas de confeção.
Mário Jorge Machado recordou que as empresas que estão a pagar preços contratualizados anualmente com a distribuição estão a deixar de o poder fazer, não só porque qualquer contrato de futuro seria imensamente onerado, mas também porque a própria distribuição deixou de fazer esses contratos, face à volatilidade dos preços induzida pela invasão da Ucrânia pelas tropas russas e pelas consequentes sanções impostas pela União Europeia (em conjunto com os Estados Unidos).
“As empresas estão neste momento a comprar ao preço do dia. É como ir à bomba encher o depósito”, reforça Mário Jorge Machado, para quem esta situação não é sustentável a muito curto prazo. Se nada for feito, o sector têxtil – como vários outros – sofrerá uma razia de insolvências que com facilidade destruirá a cadeia de valor construída ao longo de tantos anos.