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As enchentes que têm assolado o Paquistão tiveram como resultado – infelizmente não o pior – a destruição de cerca de 45% da produção de algodão, o que representa um corte de 2,6 mil milhões de euros de exportações e a forte possibilidade de escassez daquela matéria-prima.
Com os preços do algodão numa escalada há várias semanas consecutivas, a destruição de parte da produção paquistanesa – um dos maiores produtores do mundo, o quinto – vai ser, segundo as primeiras análises, mais um fator para inflacionar os custos nos mercados internacionais.
Com 8,5% do PIB e 40% dos empregos do país ‘pendurados’ na indústria têxtil – que respondeu por exportações de 15,4 mil milhões de euros no ano passado – a catástrofe natural irá também ter forte impacto na produção. Os mercados da União Europeia (que importou 3,3 mil milhões no ano passado) e dos Estados Unidos (4,2 mil milhões) vão ser abalados por uma provável escassez desta matéria-prima.
As enchentes provocaram, segundo os números oficiais, a morte de mais de 1.130 pessoas, destruíram quase um milhão de casas, e obrigaram à deslocação de 33 milhões de paquistaneses. Nas províncias de Sindh e Punjab, no leste do país, foram destruídas todas as culturas de algodão e de cana-de-açúcar. Ou seja, para além do têxtil, as autoridades estão à espera de uma crise alimentar sem precedentes no país.