Na passada semana, a série Ecosystex Insights destacou vários projetos que estão a contribuir para o desenvolvimento de uma força de trabalho qualificada e preparada para a transição ecológica. Entre eles esteve o projeto Vetrine.
Ana Dinis, diretora-geral da ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal e membro do consórcio, explicou de que forma o grupo combinou inovação no ensino e formação profissional com a colaboração da indústria para promover uma educação de moda mais sustentável.
A responsável centrou a sua apresentação no WP4 – Entre-Fashion Process. “A educação para a moda e a indústria estão a mudar”, começou por contextualizar, sublinhando que as empresas precisam cada vez mais de profissionais com conhecimentos sobre materiais e circularidade, aliados a uma forte orientação para o mercado e para a realidade industrial e os seus processos.
Com base nesta necessidade, o consórcio definiu cinco etapas de trabalho: aprendizagem teórica; desenvolvimento de um produto real; mentoria; monitorização de resultados, reflexão e interação; e, por fim, apresentação do produto final e partilha de aprendizagens.
O processo do Entre-Fashion decorreu ao longo de cerca de oito meses. Durante esse período, foi desenvolvido um processo de matchmaking para a mentoria, pensado à medida de cada conceito que os alunos pretendiam desenvolver, bem como atividades de pesquisa de materiais e desenvolvimento de protótipos.
Ana Dinis destacou ainda a componente de reflexão de mercado e o processo de votação internacional para eleger o melhor coordenado. “Foi uma abordagem inovadora. Tivemos mentores da indústria escolhidos para os projetos considerando o perfil de cada empresa, que prestaram apoio nos materiais, nos processos e no direcionamento das peças para o mercado”, explicou.
“Desenvolvemos também uma ferramenta de monitorização através da qual acompanhámos o progresso da aprendizagem. Esta permitia reportar dificuldades ao mesmo tempo que incentivava o feedback através de questionários definidos pelo consórcio. O objetivo foi conseguir medir as diferentes etapas de trabalho nos vários países”, acrescentou.
No final, foram distinguidos quatro vencedores: Portugal, Bulgária, Grécia e Espanha. As criações serão apresentadas na conferência final do Vetrine, em Paris, no próximo dia 4 de junho.
Pelo caminho surgiram naturalmente vários desafios. Ana Dinis reconheceu que manter o engagement durante um longo período de tempo não foi fácil. Houve interrupções devido ao calendário escolar, dificuldades no sourcing de materiais e a necessidade de equilibrar criatividade com viabilidade de produção.
Ainda assim, o balanço final é positivo, graças ao forte envolvimento das escolas e da indústria. “Sabemos que a sustentabilidade é desafiante. Precisamos de competências sustentáveis, mas orientadas para as necessidades industriais. É preciso perceber como a indústria funciona e a orientação ao mercado também é importante”, reforçou.
“Os projetos que combinam as duas partes são fundamentais para a transformação do setor. Precisamos também de pessoas com uma visão alargada da indústria”, acrescentou.
A apresentação terminou com a ideia de que a sustentabilidade não pode ser aprendida apenas em sala de aula: tem de ser experienciada através dos materiais, dos contratempos e da colaboração real no desenvolvimento de produto. O Vetrine criou ainda um manual que estará brevemente disponível para download, destinado a todos aqueles que pretendam replicar este modelo de ensino.
Neste episódio de Ecosystex Insights participaram ainda Sara Harper, da University of Boras, que apresentou a forma como o projeto W4TEX está a capacitar mulheres para assumirem papéis de liderança na gestão têxtil sustentável; Elena Kopanarova, da IRIS Katartisis, que deu a conhecer as atividades do projeto FEA-VEE, focado no desenvolvimento de competências e excelência profissional para um setor da moda mais verde e competitivo, fazendo também referência ao projeto Metaskills4TCLF; e Rita Souto, do Centro Tecnológico do Calçado de Portugal, que apresentou o projeto Metaskills4TCLF, iniciativa da qual a ATP também faz parte e que pretende coordenar o ecossistema de competências para as indústrias têxtil, vestuário, couro e calçado.
O Ecosystex é uma comunidade europeia criada para impulsionar um ecossistema têxtil sustentável. O seu objetivo passa por reunir uma comunidade permanente de especialistas, centrada no conhecimento, mas também numa componente prática de aplicação desse mesmo conhecimento. Desde o seu arranque, a iniciativa já agregou 96 projetos-membro, mais de 510 especialistas registados e oito grupos de trabalho.
A apresentação completa pode ser vista aqui.
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