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O problema está identificado pelas estatísticas, as causas determinadas pelos analistas, mas a forma de as contornar ainda não está em cima da mesa dos agentes económicos. Há uma acentuada queda do consumo, principalmente nas economias maduras europeias, e o setor dos têxteis e da moda não está imune a esta tendência.
Os primeiros alertas da parte das empresas já se estão a ouvir. Até porque foram precisamente estes mercados maduros – Alemanha, França, Espanha e Itália, principalmente – que serviram de refúgio quando os emergentes começaram a demonstrar não ter conseguido sustentar aquilo que parecia ser o caminho certo: a aposta na criação de uma classe média numerosa e com capacidade de consumo.
O motor da economia europeia, a Alemanha, enfrenta por estes dias o fantasma da recessão: o PIB contraiu 0,1% e os analistas dizem que sua economia continua a deteriorar-se – prevendo-se que em pouco tempo seja o emprego a ser afetado. O Instituto de Economia de Kiel (IfW) prevê que o crescimento alemão continuará a contrair pelo menos até 2021, altura em que o país deverá perder o seu superávit comercial.
O consumo alemão de moda caiu 1,9% em julho, após subir 1,9% no mês anterior, regressando assim a crescimentos negativos já registados em abril e maio, quando as receitas caíram 5% e 3,6%, respectivamente.
No Reino Unido, o PIB caiu 0,2% no segundo trimestre do ano, registando a maior contração desde 2012, e depois de ter crescido 0,5% no primeiro trimestre. Refira-se que, apesar de tudo, o consumo de moda tem evitado a turbulência, com aumentos de 3,2% em junho e 1,7% em julho.
Fora da Europa, e depois de um período aureo da globalização, tudo parece ter voltado para trás. Os Estados Unidos continuam a ser o maior mercado do mundo para o setor da moda, mas a sua economia cresceu 2% no segundo trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano anterior, o que está bem longe do crescimento homólogo registado no primeiro trimestre, que havia atingido os 3,1%.
A China registou um crescimento da economia de 6,2% no segundo trimestre do ano face ao mesmo período do ano anterior – parece muito, mas é o menor ritmo de crescimento em três décadas.