Ana Rodrigues
EcoCleanTex é um projeto aprovado pelo programa Eurostars que pretende criar novos biodetergentes para substituir os produtos utilizados nos diferentes processos de produção de vestuário. Nádia Eusébio, ex-aluna da FCUP, é a líder do projeto que a partir de microrganismos pretende substituir os petroquímicos.
Estando a indústria têxtil entre as cinco maiores poluidoras do mundo, em particular no que diz respeito ao consumo de água, a receita do EcoCleanTex conta com ingredientes produzidos por biosurfactantes. Assim, o objetivo é identificar novos compostos à base de microrganismos como bactérias e leveduras, isoladas a partir de ambientes marinhos e terrestres.
Por exemplo, para que uma peça chegue ao consumidor final – como explicou Nádia Eusébio em artigo da Universidade do Porto –, tem que ultrapassar diversos processos, como a preparação, o tingimento, o acabamento têxtil e os detergentes são aqui utilizados para retirar a sujidade, óleos e outras impurezas dos tecidos, ou até mesmo para ajudar a suavizar as fibras.
Mais ainda, “após o tingimento, todos os tecidos têm de ser lavados para remover resíduos químicos, fixar a cor, eliminar impurezas e melhorar a qualidade do produto têxtil”. Ora, nesta lavagem são usados surfactantes, necessários para reduzir a tensão superficial da água e assim permitir a penetração dos detergentes no tecido e facilitar a limpeza.
Porém, Nádia Eusébio propõe uma alternativa e quer apostar nos biosurfactantes, que são produzidos em meio de cultura durante o crescimento microbiano e podem ser utilizados na formulação de biodetergentes.
“Temos alguns biosurfactantes já a serem produzidos em grande escala, mas queremos otimizar e conseguir obter todas as características dos detergentes químicos, usados na indústria têxtil, para igualar o seu desempenho e assim os podermos substituir”, salientou.
Tendo arrancado oficialmente a 1 de abril com um financiamento de 1,6 milhões de euros, o EuroCleanTex propõe-se a desenvolver, em dois anos, quatro diferentes biodetergentes. No entanto, a investigação ambiciona ir mais longe e pretende que as bactérias e leveduras possam ajudar a um quotidiano mais sustentável, com detergentes 100% biológicos.