A AICEP dinamizou esta segunda-feira uma sessão dedicada ao mercado brasileiro e às oportunidades existentes para as empresas portuguesas do setor têxtil e vestuário. O workshop, que decorreu na Casa da Música, no Porto, organizou-se em quatro momentos distintos, sendo o segundo dedicado à revolução do e-commerce e ao consumidor digital.
Na apresentação, Marta Jorge, da Direção de Academia da AICEP, explicou como o Brasil se tornou o maior mercado de e-commerce da América Latina e o 12.º a nível global, movimentando cerca de 50 mil milhões de dólares em 2025. O setor da moda e acessórios lidera em volume de pedidos e, segundo a responsável, os consumidores brasileiros demonstram uma abertura singular para compras internacionais nesta categoria.
De acordo com Marta Jorge, a estratégia digital no Brasil deve ser pensada numa lógica “mobile first”, já que o telemóvel é a principal ferramenta utilizada para compras online. A responsável destacou ainda o peso das redes sociais, sublinhando que 50% das compras online são influenciadas pelo Instagram e pelo TikTok, plataformas que funcionam como as principais montras de produtos.
Outro fator diferenciador do mercado brasileiro é o sistema de pagamentos. O sucesso de uma operação digital depende da disponibilização do PIX, sistema de pagamento instantâneo amplamente utilizado no país, bem como da possibilidade de “parcelar” as compras com cartão de crédito, uma prática profundamente enraizada na cultura de consumo brasileira, onde o cliente tende a focar-se no valor da prestação mensal.
A oradora abordou ainda o impacto da chamada “taxa das blusinhas”, implementada em agosto de 2024, que passou a taxar pequenas encomendas internacionais com o objetivo de equilibrar a concorrência com o stock local. Uma medida que, na sua perspetiva, abre espaço para que as empresas portuguesas operem através de parceiros locais.
Marta Jorge concluiu sublinhando que o foco do mercado está agora na eficiência operacional e no valor acrescentado, nomeadamente ao nível do design e da sustentabilidade. Dois fatores nos quais Portugal tem potencial para se diferenciar da concorrência asiática, tradicionalmente mais orientada para o preço baixo.