Ana Rodrigues
A organização algodoeira da Austrália, a Cotton Australia, está a desenvolver um novo método para reutilizar resíduos do sector têxtil e do vestuário: triturá-los e depois enterrá-los em solo agrícola. O processo resulta do esmagamento dos resíduos e depois da sua mistura com a camada superior do solo agrícola, onde por fim é adicionada água.
Com o tempo, a desintegração dos tecidos deixa para trás um ambiente adequado para o tipo de insetos e nutrientes que alimentam as plantas de algodão. Portanto, a única coisa que os resíduos necessitam é de humidade, calor e fungos. Esta investigação – que teve início em 2019 na região de Goondiwindi, Queensland – teve como objetivo contribuir para a sustentabilidade e circularidade do algodão.
As primeiras experiências consistiram em testes de laboratório com pedaços de tecido de algodão. Os especialistas pretendiam monitorizar o seu processo de degradação e ver como afetava a retenção de carbono e água. Todos os tecidos, exceto os mais compactos, degradaram-se significativamente em cerca de 24 semanas e as sementes de algodão germinaram bem na nova mistura de solo com restos de algodão. Quanto aos tecidos com corantes não afetaram até ao momento a experiência. Porém, a partir de agora, o algodão que for colocado em solo agrícola não terá essas características, nem serão utilizados tecidos de algodão misturados com poliéster.
Os especialistas desta investigação já demonstraram que outras fibras naturais – para além do algodão –, como a viscose ou a lã, podem sofrer o mesmo tratamento e a intenção é desenvolver também essa possibilidade.