Bebiana Rocha
O artista mexicano Daniel Fernández Carrillo foi distinguido com o Prémio da Exposição Internacional da Contextile 2026 pela obra Paisaje Revelado. A distinção, atribuída pela 8.ª edição da Bienal de Arte Têxtil Contemporânea, inclui um prémio monetário de oito mil euros.
Em Paisaje Revelado, Daniel Fernández Carrillo explora a relação entre matéria, tempo e território a partir da intervenção numa lona de polietileno recuperada. O material, comum na paisagem quotidiana do México, é transformado através de um processo de desgaste que dispensa a utilização de pigmentos.
“O desenho surge através do desgaste da camada plástica. Em vez de acrescentar pigmento, o artista constrói gradualmente a superfície, reproduzindo a deterioração provocada pelo sol e pelo tempo”, explica a organização da Contextile em comunicado.
A imagem que emerge deste processo conduz o público a uma arquitetura hostil, associada a dinâmicas de separação, controlo e regulação dos corpos no espaço urbano. O trabalho utiliza, assim, o próprio desgaste do material como ferramenta de investigação sobre o território.
A Exposição Internacional atribuiu ainda duas menções honrosas: à artista indonésia Salima Hakim, pela obra Week 1: Road to Homo Sapiens, e ao artista norte-americano Raul Martinez, por Parabellum mapa nº3, 9mm, Guatemala.

Na primeira obra, Salima Hakim parte das representações dos estágios da evolução humana para propor uma versão feminina desta narrativa. Recriando o ambiente de uma sala de aula, a artista recorre a tecido e costura manual para construir uma representação alternativa à história dominante da evolução humana, questionando o papel da representação de género na história e na arqueologia.
Já Parabellum mapa nº3, 9mm, Guatemala integra uma série de trabalhos têxteis em curso de Raul Martinez dedicada à história da indústria das armas. O projeto parte das marcas encontradas em milhares de cartuchos usados, transformando esses vestígios em conjuntos de dados que permitem traçar a circulação global de armas. “Os vestígios são transformados em mapas de circulação”, explica a organização.
Apesar das diferentes abordagens e contextos, as três obras partilham uma mesma dimensão: o têxtil é utilizado não apenas como suporte artístico, mas como ferramenta de investigação, construção de conhecimento e questionamento da realidade.
Uma apresentação mais detalhada das obras distinguidas pode ser consultada no site da Contextile 2026.
