Bebiana Rocha
A ofensiva militar norte-americana e israelita contra o Irão ameaça impulsionar a inflação e travar o já frágil crescimento económico da Europa, segundo uma nota da Agência Reuters esta segunda-feira.
O potencial impacto no setor têxtil e vestuário é particularmente relevante, sobretudo olhando para o expectável aumento dos custos energéticos. O gás natural, amplamente utilizado pelas empresas para processos de tinturaria, acabamento e secagem, deverá sofrer pressões significativas. Além disso, prevê-se um aumento dos custos de transporte e um prolongamento dos prazos de entrega.
“Os ataques perturbam o transporte marítimo comercial no Golfo, uma fonte essencial de combustível e produtos petrolíferos para a Europa”, lê-se na nota. A interrupção já provocou uma subida imediata dos preços destes fornecimentos energéticos nos mercados financeiros.
Cerca de 20% do petróleo mundial passa pelo Estreito de Ormuz, juntamente com grandes volumes de gás natural liquefeito provenientes do Qatar. O Golfo é também um importante exportador de propano, butano e etano, usados para aquecimento e combustíveis.
A Reuters acrescenta que, no domingo, as empresas de transporte marítimo voltaram a desviar navios para a rota em torno de África, evitando o Canal do Suez, o que poderá aumentar os custos de transporte e complicar as exportações para a Ásia.
O Presidente dos EUA afirmou ontem que a operação contra o Irão poderá durar quatro semanas. Caso o conflito se restrinja apenas a esse período, os economistas do Commerzbank consideram que o impacto poderá não ser significativo. No entanto, se se prolongar por vários meses, a inflação na Zona Euro poderá subir pelo menos um ponto percentual.