Bebiana Rocha
A Confetil participou no podcast Conversas Fora de Moda, do Be@t, onde esteve em destaque o tema da transparência e da rastreabilidade na cadeia têxtil. “A colaboração entre os elos da cadeia é fundamental”, afirmou Dionísia Portela, gestora de sustentabilidade da empresa.
Segundo a responsável, a produção de matéria-prima encontra-se maioritariamente fora da Europa, o que representa, na sua perspetiva, o principal entrave à implementação destes processos. “A obtenção de informação proveniente da Ásia é difícil. As marcas têm aqui um papel essencial: são um elo da cadeia. A influência que exercem junto dos consumidores, levando-os a exigir este tipo de informação, é o que vai mover todo o mundo têxtil para chegar a bom porto”, defendeu.
Ao longo deste quarto episódio do podcast Be@t, foi também abordado o facto de já existirem no mercado artigos que incluem informação que irá constar no futuro passaporte digital de produto, nomeadamente sobre os intervenientes do processo produtivo. No entanto, as características ambientais ainda não estão plenamente integradas, pelo que o consumidor continua a fazer as suas escolhas sobretudo com base na origem dos produtos.
Dionísia Portela referiu ainda que as marcas estão a aderir progressivamente às práticas de transparência e rastreabilidade. O problema, explica, é que cada marca utiliza a sua própria plataforma para reportar a informação, o que representa uma carga significativa para a indústria, obrigada a replicar os mesmos dados em formatos distintos. “Estas iniciativas são bem-vindas, mas criam desafios do lado produtivo. A integração dos dados não é fácil. Estamos a fazer um bom caminho, mas os desafios são muitos”, sublinhou.
A responsável da Confetil destacou também que há ainda um longo percurso a fazer junto do consumidor. Basta pensar nas dez pessoas mais próximas para perceber quais são os principais critérios no momento da compra: o preço e as emoções. As questões da sustentabilidade continuam a ser consideradas por um nicho muito reduzido. Por isso, defende, é necessário criar “bagagem” desde cedo, através da educação nas escolas, e até promover, nos meios de comunicação social, comparações de etiquetas que ajudem a informar melhor o consumidor.
Neste contexto, o passaporte digital de produto é visto como um passo positivo e importante, ao facilitar o acesso à informação. A conversa passou ainda pela legislação, com destaque para o facto de os critérios já serem mais exigentes em mercados como o francês e o norte-americano. “Progressivamente, as marcas estão a alinhar-se”, concluiu Dionísia Portela, assumindo a sustentabilidade plena como um objetivo e um sonho a alcançar.