Bebiana Rocha
As empresas têxteis Coelima, Filasa, Lameirinho e Lasa integram agora a Rede de Turismo Industrial de Guimarães. A sessão de apresentação e assinatura dos protocolos de colaboração decorreu nas instalações da Lameirinho na passada semana.
Domingos Bragança, presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Paulo Coelho Lima, CEO da Lameirinho, José Antunes, administrador da Lasa e da Filasa, e Rui Pereira, diretor geral da Mabera Acabamentos Têxteis, estiveram entre as personalidades presentes.
Esta iniciativa vai permitir às empresas mostrarem em pormenor a evolução das suas técnicas de produção e tecnologias, bem como contribuir para o aumento do seu valor reputacional, e quem sabe servir como atração de talento.
“O turismo industrial surge como uma mais valia, pois para além de permitir aumentar o valor reputacional e conferir reconhecimento pela qualidade e confiança, é uma oportunidade única de demonstrar a evolução e a inovação neste sector e a importância de o manter ativo”, diz Cecília Mendes do departamento de comunicação.
“Guimarães dispõe de condições únicas para a implementação do turismo industrial. Temos história, mas também temos uma relevante história industrial, uma história, mais que noutro tempo feita de futuro”, disse Domingos Bragança.
Rui Pereira vê aqui uma oportunidade para “as pessoas perceberem que a Coelima está ativa e tem um espólio muito grande, quer de equipamentos quer de biblioteca”. Ao T, o diretor geral deu como exemplo o jornal interno lançado em 1962: “O Boletim Coelho Lima, inicialmente Miral, era distribuído pelos trabalhadores, servia como jornal local numa altura em que as pessoas tinham pouco acesso. O jornal fazia-se dentro de portas. Estava muito ligado ao desporto (ciclismo e futebol), havia espaço para publicações de trabalhadores que gostavam de escrever, incluindo poesia”, descreve com entusiasmo. As visitas à Coelima contarão assim com uma vertente histórica, combinada com a envolvente industrial.
As empresas da região já têm aberto portas para grupos, seja de estudantes, seja de delegações internacionais, para dar a conhecer as suas instalações. A integração na Rede de Turismo Industrial é mais uma porta para dar a conhecer à comunidade o papel da indústria têxtil e o quão apta está a combinar tradição com inovação.
“A Lameirinho de uma forma informal já estava disponível para o Turismo industrial, temos tido visitas de vários tipos de grupos. Claro que dando visibilidade à empresa é sempre mais uma forma de crescermos em notoriedade”, diz Tânia Lima, em representação da têxtil-lar.
Os visitantes vão poder neste caso ficar a conhecer a história e as unidades de produção mais relevantes para o processo de fabrico de lençóis, desde a tecelagem até ao embalamento do produto. “Vão poder ver quem está por trás do fabrico dos produtos Lameirinho e a dedicação e o cuidado dessas mesmas pessoas para que o produto chegue irrepreensível aos nossos clientes. Fazermos oficialmente parte de uma experiência turística a nível nacional é um privilégio”, conclui.
Cecília Mendes também considerar uma oportunidade para “desmitificar mitos em relação a esta indústria”. “Falando na fiação em particular, é uma área que devido ao desconhecimento do processo produtivo não atrai facilmente os recursos humanos”, diz. As visitas vão permitir deste modo “conhecer todo o processo produtivo de uma fiação desde o recebimento das ramas das plantas. “Podemos afirmar que terão a experiência única de verificar o processo moderno de uma prática manual, antiga”.