15 abril 26
Sustentabilidade

Bebiana Rocha

CITEVE apresenta Passaporte Digital de Produto para toda a fileira

A indústria reuniu-se hoje no auditório do CITEVE, em Vila Nova de Famalicão, para conhecer a nova ferramenta de Passaporte Digital de Produto (DPP) desenvolvida pelo Centro Tecnológico, com o objetivo de abranger toda a fileira.

Na sessão de abertura, António Amorim, presidente do CITEVE, sublinhou que “o Passaporte Digital de Produto é fulcral para o futuro da indústria e defende os produtores de qualidade”, destacando a relevância do tema num contexto em que “somos bombardeados por produtos que não cumprem as mesmas regras dos produtores europeus”.

António Braz Costa, diretor-geral, reforçou este enquadramento, salientando que estas iniciativas são determinantes para garantir a competitividade das empresas portuguesas, que já são competitivas por si só – desde que as regras do jogo sejam iguais para todos os que operam dentro e fora da Europa.

Na sua intervenção, recorreu à metáfora de uma rosa para ilustrar o DPP: um instrumento essencial, mas que também traz desafios. Entre os “espinhos”, apontou a dificuldade das empresas em reunir e estruturar a informação necessária para um sistema robusto, bem como a indefinição ainda existente por parte da Comissão Europeia quanto ao alcance concreto deste instrumento.

Antecipando este cenário, o CITEVE desenvolveu um modelo assente em mais de 100 parâmetros, preparado para responder ao contexto mais exigente. A partir daí, trabalhou numa plataforma completa, com o objetivo de disponibilizar ao setor uma ferramenta prática e, simultaneamente, um argumento de valorização junto do mercado.

“Em Portugal, os índices do passaporte são confortáveis, estando acima da média do mercado. O CITEVE tem tudo preparado e a plataforma será gratuita enquanto não for obrigatória”, destacou, acrescentando que outros países estão igualmente a preparar-se para competir neste domínio, o que reforça a necessidade de as empresas continuarem a investir em sustentabilidade, rastreabilidade e transparência.

Seguiu-se a intervenção de Ana Barros, gestora do DPP no CITEVE, que apresentou o enquadramento da plataforma. O trabalho teve início com o projeto STV Go Digital, transitando depois para o projeto Be@t, onde o tema está a ser desenvolvido em colaboração com empresas como a Zippy e a Salsa, abrangendo também componentes do projeto Texp@ct. A responsável sublinhou que este é um percurso que o centro tecnológico tem vindo a construir há vários anos, ainda que sob diferentes designações, como “bilhete de identidade do produto”.

Na sua apresentação, Ana Barros fez um balanço dos vários indicadores considerados nas soluções desenvolvidas no âmbito do STV e do Be@t, evidenciando a sua abrangência. Estes contemplam dimensões ambientais e circulares – mais centradas no produto -, bem como indicadores económicos e sociais ao nível das empresas, permitindo a construção de um índice global de produto.

A responsável fez ainda questão de destacar que o DPP não se destina apenas a informar o consumidor. A ferramenta integra também informação relevante para recicladores e constitui um instrumento de apoio à decisão para os produtores, incentivando uma análise mais crítica dos seus processos e funcionando como uma ferramenta de avaliação interna.

A sessão prosseguiu com uma demonstração da nova plataforma, pensada para ser flexível e adaptável a empresas de diferentes dimensões, promovendo uma adoção alargada a todo o setor.

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