Bebiana Rocha
A Circlo é uma empresa jovem focada na reciclagem e criação de malhas amigas do ambiente, nasceu de uma necessidade: dar vida aos desperdícios de corte da Pedrosa & Rodrigues. A estreia pública foi feita no Modtissimo 60+4 e contou com vários interessados no projeto.
“O nosso parceiro Pedrosa & Rodrigues guarda-nos os excedentes de corte e depois faculta-os para reciclagem, que no final dão origem a malhas 100% algodão”, simplifica Dolores Granja, responsável pelo desenvolvimento e qualidade, num primeiro momento.
Os excedentes são separados por cor e composição, tendo sempre em atenção os plásticos e papeis para não haver contaminações, chama à atenção. “É um detalhe importante porque essas contaminações dão origem a defeitos mais à frente”.
Para se conseguir trabalhar os desperdícios são necessárias sete toneladas de malha, “da mesma cor e composição”. Depois, o desperdício é trabalhado através de um processo mecânico em que as malhas são cortadas, tornadas em rama, sem adição de químicos, e, por sua vez, a rama é enviada para a fiação, testada em termos de comprimento da fibra e são criadas as malhas recicladas.
“Alguns Nes são mais finos o que obriga a que seja introduzida rama virgem para não haver um rebentamento da malha, mas também já conseguimos chegar a uma composição 100% reciclada”, diz Dolores Granja ao T Jornal.
As cores que a Circlo mais recolhe são o preto e branco, o que no final vai dar origem a vários tons de cinza mescla, dependendo da percentagem de rama virgem colocada, aprofunda. “Conseguimos também fazer cores sem tingir. As malhas nascidas de estampagem a metro não precisam de ser tingidas”, explica.
Mas o melhor está para vir, a empresa está a trabalhar para implementar a tecnologia FiberTrace e identificar as malhas. “Queremos também criar um passaporte digital de produto. Ao todo temos seis projetos a serem pensados com os nossos parceiros para acrescentar valor ao produto”, pincela a responsável.
Atualmente a Circlo já é capaz de identificar para o cliente a origem de todo o desperdício: “Conseguimos dizer ao cliente da Pedrosa que a encomenda 10 por exemplo usou desperdício da encomenda 1 que ele fez”.
Este é ainda um projeto com um preço final elevado, mas Dolores Granja chama à atenção para um pormenor: “trabalhamos com fiação nacional, que é de melhor qualidade do que o que vem da Ásia”. No fundo, querendo dizer que na Circlo criam produtos reciclados com melhor qualidade do que um produto virgem de fiação asiática.
Neste momento, os principais clientes são europeus, com especial incidência nos países nórdicos. “A Europa está mais preparada para comprar reciclado, tem trabalhado a consciência social e ecológica”, nota, acrescentando de seguida que também já entraram nos Estados Unidos.