Bebiana Rocha
O Centro de Nanotecnologia e Materiais Técnicos, Funcionais e Inteligentes (CeNTI) celebrou ontem 20 anos de atividade, afirmando-se como uma referência nacional e europeia na investigação aplicada e na transferência de tecnologia para a indústria.
Com mais de 200 colaboradores, 19 laboratórios e participação em mais de 950 projetos de investigação e inovação, o centro tem vindo a consolidar um modelo assente na proximidade ao tecido empresarial e na criação de soluções tecnológicas com impacto direto na competitividade industrial.
Essa ligação à indústria pode ser exemplificada com cinco novos projetos de investigação em curso no âmbito do Compete 2030, que evidenciam o papel do CeNTI como catalisador de inovação colaborativa e de novas sinergias no setor têxtil e vestuário, envolvendo empresas, centros tecnológicos e instituições académicas.
Um desses projetos é o Aerocare, focado no desenvolvimento de materiais avançados e sustentáveis para pensos aplicados a feridas crónicas. A iniciativa conta com a participação da Tintex e reflete a crescente convergência entre têxteis técnicos, saúde e sustentabilidade.
Na área da logística térmica e materiais funcionais, surge o Blooktex, que pretende desenvolver uma solução multicamada de base têxtil isotérmica de elevado desempenho para aplicações na cadeia térmica dos setores alimentar e farmacêutico. O projeto envolve o CITEVE e empresas como a Zor, Coltec e Maitex, reforçando a capacidade do setor em criar soluções de alto valor acrescentado para mercados especializados.
Outro exemplo é o Alivetex, centrado no desenvolvimento de divisórias inteligentes e personalizáveis de base têxtil, capazes de adaptar autonomamente a sua forma em resposta ao ruído ambiente. O projeto junta o CeNTI à Têxteis Penedo, CITEVE e Sedacor, numa abordagem que cruza têxteis funcionais, design adaptativo e inteligência material.
Na vertente da circularidade e biofuncionalização de materiais, o Resportex aposta no desenvolvimento de novas estruturas têxteis funcionais através da incorporação de agentes biofuncionais – como antimicrobianos e antiodor – provenientes de resíduos industriais multissetoriais. O trabalho é desenvolvido em parceria com a Fitexar, o CITEVE e a Universidade da Beira Interior, reforçando o potencial da economia circular aplicada aos têxteis técnicos.
Já o Integra procura desenvolver arquiteturas têxteis multifuncionais e sustentáveis, incorporando também um caso de estudo orientado para a criação de peças de vestuário inclusivas, desenhadas para responder a problemáticas como a hiperidrose e a sialorreia. O projeto envolve a Hata, CITEVE, Inovafil, Tintex e Lagofra, traduzindo uma visão cada vez mais alargada da inovação têxtil, onde tecnologia, funcionalidade e inclusão caminham lado a lado.
Com uma atuação transversal em áreas como sustentabilidade, bioeconomia, digitalização de materiais e processos, armazenamento e geração de energia, construção, saúde, embalagens, mobilidade e espaços inteligentes, o centro tem vindo igualmente a reforçar o seu papel em áreas emergentes como a cadeia de valor das baterias, uma aposta estratégica que tem motivado novos investimentos em infraestrutura tecnológica e capacidade de resposta.
Em comunicado, o CeNTI destaca ainda a intensa atividade desenvolvida no âmbito da propriedade intelectual. “Ao longo dos últimos 20 anos, o Centro construiu um histórico assinalável em propriedade intelectual, com um portefólio ativo que ultrapassa atualmente os 100 registos.” A este número somam-se várias patentes registadas por clientes, o que, segundo a instituição, constitui “um indicativo concreto do impacto da sua atividade no tecido empresarial e na competitividade das empresas com quem colabora”.
Paralelamente à atividade de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico (I&DT), o CeNTI disponibiliza também serviços de suporte técnico nas áreas da caracterização e validação de materiais, prototipagem, desenvolvimento de produto e pré-séries, reforçando a ponte entre investigação aplicada e industrialização.
Criado em 2006, o CeNTI nasceu de uma parceria entre o CITEVE, o CTIC e as Universidades do Minho, Porto e Aveiro, tendo integrado posteriormente o CEiiA e o BIKiNNOV. Duas décadas depois, mantém-se como um dos principais polos de inovação tecnológica em Portugal, com uma intervenção crescente em setores onde a cooperação entre ciência, indústria e tecnologia se tornou determinante para a competitividade e sustentabilidade.