04 dezembro 25
Empresas

Bebiana Rocha

Casa da Malha: inovação e parcerias são a receita para a circularidade

O que está a acontecer na Casa da Malha em matéria de economia circular foi esta quarta-feira partilhado por Andreia Carvalho, diretora de sustentabilidade, no webinar “A Economia Circular na Indústria Têxtil e Vestuário”, integrado no projeto RESOTEX. A responsável fez parte do primeiro painel “Da fiação à confeção: boas práticas circulares”, onde apresentou a perspetiva da empresa enquanto tricotagem.

A apresentação começou com o enquadramento dos principais marcos da história da Casa da Malha, fundada em 2017 já com o propósito de ser uma tricotagem moderna de malhas circulares. Andreia Carvalho caracterizou também a força de trabalho: 67% dos colaboradores têm entre 31 e 49 anos e 70% são homens.

O percurso da empresa tem sido de crescimento contínuo. Em 2018 iniciaram a atividade, em 2019 arrancaram com os processos de certificação e 2022 marcou o início da parceria com a Smartex na deteção de defeitos.

Já em 2023, destacam-se a criação do departamento de I&DT e Sustentabilidade, a assinatura da Carta de Princípios do BCSD e o início da parceria estratégica com a Fibrenamics.

No ano passado, a empresa implementou um novo ERP, publicou o primeiro relatório de sustentabilidade, assinou a Carta para a Diversidade e conquistou o prémio Be@t by Be@t com uma malha tridimensional.

2025 está igualmente a ser um ano de novos desafios: a primeira presença na Performance Days Munich, o início da parceria com a DMIx e a apresentação do Fabric Fusion Pro, equipamento patenteado em conjunto com o INL.

Logo no início da sessão, Andreia Carvalho reforçou que a Casa da Malha trabalha de forma colaborativa com o setor, integrando um ecossistema produtivo que envolve também a Acatel (acabamentos) e a Silsa (confeção), que partilham investidores em comum.

“Juntas, as três empresas formam uma cadeia integrada que reforça eficiência, rastreabilidade e circularidade. Há uma continuidade natural entre produção, acabamento e confeção que facilita a integração de dados ao longo de todo o ciclo do produto, ao mesmo tempo que aumenta a capacidade conjunta de inovação e transição para a circularidade”, afirmou, dando como exemplo o recente lançamento de uma app com passaporte digital de produto pela Silsa.

O webinar contou com cerca de 90 participantes, que ficaram a conhecer as principais práticas de economia circular da Casa da Malha, estruturadas em quatro eixos: 1. Minimizar desperdícios; 2. Promover a reutilização de recursos; 3. Prolongar o ciclo de vida dos produtos; e 4. Reforçar a colaboração ao longo da cadeia de valor.

No primeiro eixo, destacam-se processos afinados para reduzir desperdícios de fio e malha, a melhoria contínua dos métodos de trabalho, a monitorização do rendimento e eficiência dos teares e a adoção de tecnologias mais precisas.

No segundo, a separação de resíduos por tipologia, o encaminhamento adequado para reciclagem, o desenvolvimento de projetos para transformar desperdício em novo fio e a parceria com a re.store para upcycling criativo.

Na área do design para durabilidade e reciclabilidade, a Casa da Malha tem desenvolvido malhas mais resistentes e estáveis, efetuado uma seleção criteriosa de matérias-primas para facilitar o fim de vida, estabelecido parcerias para reciclagem e upcycling e integrado princípios de ecodesign.

A seleção de fornecedores segue critérios rigorosos de sustentabilidade, rastreabilidade e alinhamento com o Passaporte Digital do Produto, garantiu.

As estratégias apresentadas foram sintetizadas em cinco pilares: 1. Materiais e tecnologias sustentáveis; 2. Gestão e prevenção de resíduos; 3. Design sustentável e ciclo de vida; 4. Capacitação e cultura organizacional; 5. Inovação, rede e colaboração.

Andreia Carvalho adiantou ainda que, em 2026, a Casa da Malha iniciará o estudo de ciclo de vida das malhas. E que, atualmente, 80% da coleção já utiliza materiais sustentáveis.

Seguiram-se exemplos concretos de projetos de parceria e inovação. Um deles envolve a Re.Store e a APS, Associação para o Envelhecimento Ativo, explorando o upcycling criativo: “A Re.Store compra-nos o desperdício têxtil e paga à APS para criar novas peças. Este ano rendeu 350€”, referiu. Outro projeto passou pela produção de fardas para os colaboradores utilizando desperdícios de produção.

Há ainda o sistema de recolha de desperdício de malha 100% algodão para reciclagem em novo fio: “O projeto começou em março deste ano e já recolhemos 500 quilos de desperdício para integrar na economia circular”.

Outras iniciativas incluem um projeto de doutoramento, desenvolvido com a Universidade do Minho e a ATP, focado em estruturas de malha de elevada performance, aliando ciência, inovação e circularidade, bem como a participação no projeto RESOTEX, onde contribuíram para testar e validar a Plataforma de Homologação.

“Na Casa da Malha acreditamos que cada fio conta. Cada melhoria, cada parceria, cada inovação aproxima-nos de um modelo produtivo onde os recursos têm mais valor, a criatividade impulsiona a mudança e a sustentabilidade é parte da nossa identidade”, concluiu Andreia Carvalho, sublinhando que a verdadeira circularidade exige melhoria contínua, colaboração e uma total integração da estratégia de sustentabilidade nas práticas empresariais.

Partilhar