07 julho 26
Legislação

Bebiana Rocha

Bruxelas trava importações de BDO com direitos antidumping

A Comissão Europeia decidiu impor direitos aduaneiros antidumping sobre as importações de 1,4-butanodiol (BDO) provenientes da China, da Arábia Saudita e dos Estados Unidos, uma medida que poderá repercutir-se na cadeia de valor da indústria têxtil e do vestuário, sobretudo nos segmentos que recorrem a fibras elásticas.

Segundo uma circular informativa da ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal, a decisão resulta de uma investigação de defesa comercial que concluiu que o BDO importado destes países estava a ser colocado no mercado europeu “a preços artificialmente baixos”, causando “um prejuízo importante à indústria do bloco comunitário”.

Embora o BDO seja uma matéria-prima da indústria química, a sua importância para o setor têxtil é significativa. “Estima-se que cerca de 52% da sua produção mundial é canalizada para a fabricação de THF (tetra-hidrofurano), composto essencial na obtenção do PTMEG, matéria-prima essencial para o fabrico de fibras de elastano (spandex)”, refere a ATP.

Estas fibras são utilizadas em diversos produtos de elevado valor acrescentado fabricados pela indústria portuguesa, nomeadamente vestuário desportivo, lingerie, moda de banho, tecidos compressivos e têxteis técnicos.

As novas medidas entraram em vigor a 25 de junho de 2026 e estabelecem direitos diferenciados consoante o país de origem e o produtor. As importações provenientes da China ficam sujeitas a taxas entre 105,6% e 113,7%, enquanto os produtos dos Estados Unidos enfrentam direitos entre 135,7% e 142,5%. Para a Arábia Saudita foi fixada uma taxa única de 52,4%.

De acordo com a Comissão Europeia, o objetivo passa por proteger os produtores comunitários de BDO, localizados na Alemanha, Países Baixos e Itália, que dispõem atualmente de capacidade produtiva não utilizada.

Apesar da justificação apresentada por Bruxelas, a ATP alerta que a medida poderá ter consequências para as empresas que utilizam esta matéria-prima.

Na circular, a associação sublinha que “a imposição destas tarifas gera forte preocupação nas indústrias transformadoras situadas a jusante (downstream)”, uma vez que “estas medidas poderão traduzir-se num aumento do custo de aquisição desta matéria-prima no mercado europeu, com potencial impacto nos custos de produção das indústrias utilizadoras a jusante, incluindo diversos segmentos da indústria têxtil e do vestuário”.

A associação acrescenta ainda que, “apesar de as medidas incidirem sobre uma matéria-prima do setor químico, os seus efeitos poderão repercutir-se em diversos segmentos da cadeia de valor têxtil e do vestuário, nomeadamente nas empresas utilizadoras de fios e tecidos elásticos”.

A ATP garante que continuará a acompanhar a evolução deste processo e os eventuais impactos para a indústria nacional. Mais informações aqui.

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