Bebiana Rocha
A ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal recebeu ontem a Bravefirms para uma masterclass dedicada a apoiar as empresas do setor na definição de estratégias capazes de gerar mais valor e aumentar margens.
Durante a sessão, Alexandre Carneiro, CEO da consultora, destacou que os desafios fazem parte da realidade de qualquer empresa e de qualquer setor. O essencial, sublinhou, é saber diagnosticá-los corretamente e, a partir daí, definir caminhos estratégicos claros para o futuro.
Para ilustrar esta abordagem, apresentou um caso prático do setor têxtil e demonstrou que fazer estratégia implica, acima de tudo, fazer escolhas.
“A estratégia deve ser a espinha dorsal de uma empresa”, afirmou logo no início, explicando que esta passa por “escolher onde jogar e como ganhar”. Isso implica, inevitavelmente, dizer não, seja a determinados clientes, práticas organizacionais ou processos.
“Ser tudo para todos não resulta”, reforçou.
Salientou ainda que “a estratégia tem de ser vivida em ecossistema”, composto por cinco pilares fundamentais: Cultura, Estrutura, Estratégia, Pessoas e Incentivos. Para que funcione, todos devem estar alinhados e orientados para um objetivo comum.
O responsável destacou também a mudança de paradigma no setor. Hoje, o benchmark já não é apenas asiático, e fatores como qualidade e flexibilidade deixaram de ser diferenciadores.
“Quem afirma no seu site que produz com qualidade e flexibilidade está, na prática, a posicionar-se igual a todos os outros”, alertou.
Defendeu igualmente a importância de conhecer profundamente a concorrência e introduziu o papel da inteligência artificial como ferramenta útil para recolher e analisar informação relevante para a tomada de decisão.
Reforçou que o caminho passa pela criação de valor e pela tecnicidade. Existem sempre oportunidades no mercado, mas é fundamental trabalhar em relações de parceria sustentáveis.
Neste sentido, deixou uma mensagem direta sobre estratégia comercial: os comerciais não devem limitar-se a reagir a pedidos. Devem compreender as necessidades ou “dores” dos clientes e responder de forma proativa.
“Os comerciais não devem entrar apenas no final do processo para apresentar uma cotação; devem conhecer a empresa e o seu contexto”, afirmou.
Na abertura da sessão, Ricardo Silva, presidente da ATP, destacou que vender não é suficiente — é essencial garantir rentabilidade. Sublinhou ainda o papel da associação em promover uma cultura de criação de valor no setor.
“Trabalhando o setor em rede, é fundamental que todas as empresas evoluam em conjunto, sejam capazes de aumentar margens e reforçar toda a cadeia de valor”, concluiu.