Bebiana Rocha
O Brasil encerrou o ano comercial 2025/26 com um novo recorde nas exportações de algodão, consolidando a liderança mundial. Entre agosto de 2025 e julho de 2026, o país exportou 3,374 milhões de toneladas, mais 19% do que no ciclo anterior, e alcançou uma receita recorde de 5,3 mil milhões de dólares.
O volume exportado representa mais 538,5 mil toneladas face a 2024/25. O Brasil manteve uma vantagem significativa sobre os Estados Unidos, segundo maior exportador mundial, que registou 2,656 milhões de toneladas, enquanto a Austrália ficou nos 1,241 milhões.
O crescimento brasileiro resulta não apenas do aumento da produção, mas também do reforço da qualidade, rastreabilidade e sustentabilidade da fibra, fatores que têm aumentado a confiança dos compradores internacionais e a capacidade do país para garantir grandes volumes de forma regular.
China e Índia ganham peso
A China foi o principal destino do algodão brasileiro, com 770,5 mil toneladas, cerca de 23% das exportações. As vendas para o mercado chinês cresceram 309,2 mil toneladas num ano, beneficiando também da menor competitividade do algodão norte-americano devido às sobretaxas aplicadas pela China.
Bangladesh foi outro mercado em forte crescimento, com mais 173,2 mil toneladas compradas. A expansão da indústria têxtil e a crescente utilização de algodão proveniente de sistemas de produção mecanizados estão entre os fatores que explicam o aumento da procura.
Também a Índia se destacou: as importações de algodão brasileiro multiplicaram-se por mais de 40 em dois anos. A suspensão temporária da tarifa indiana de 11% sobre as importações, em 2025, contribuiu para o aumento das compras, num mercado de enorme dimensão para a indústria têxtil.
Impacto para as empresas portuguesas
A afirmação do Brasil como principal exportador mundial é relevante para o têxtil e vestuário português, sobretudo porque aumenta o peso de uma origem capaz de combinar escala, preço, qualidade e rastreabilidade.
Para os fabricantes portugueses, a maior disponibilidade de algodão brasileiro pode representar uma oportunidade para diversificar o aprovisionamento e negociar condições competitivas. Ao mesmo tempo, a crescente presença do Brasil nos grandes mercados têxteis mundiais torna importante acompanhar a evolução dos preços, da oferta e dos fluxos internacionais da fibra.
Para 2026/27, a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) prevê uma produção de cerca de 3,9 milhões de toneladas e exportações de 3,1 milhões. Apesar da redução esperada face ao ciclo recorde, o Brasil deverá manter a liderança mundial e continuar a ganhar relevância como fornecedor estratégico de algodão para a indústria têxtil.